<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397</id><updated>2011-12-03T14:41:53.512-02:00</updated><title type='text'>Buraco do Bunda</title><subtitle type='html'>Escatologia, sarcasmo, erotismo barato, baixa auto estima e literatura... Tudo o que há de podre no mundo encontra-se aqui. Só que piorado.

Pois o Bunda toma ferro, mas não consente. Do fundo do poço, destila o veneno e solta o verbo. 

Experimente você também toda a encorpada fedentina desse buraco.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-1598077477061572301</id><published>2010-10-12T20:27:00.013-03:00</published><updated>2010-11-22T17:11:04.147-02:00</updated><title type='text'>sala de embarque</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TObWllv-eCI/AAAAAAAAADM/zEtGopD7Ow8/s1600/acne.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 317px; height: 255px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TObWllv-eCI/AAAAAAAAADM/zEtGopD7Ow8/s400/acne.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541352332802816034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Amanda e Paulinho namoram há dois anos. Já adquiriram avançado grau de intimidade. Trocam beijos de língua entre garfadas de pizza nas noites de domingo. Viajaram juntos para Itacaré e Bariloche e agora estão a caminho da Europa, ambos pela primeira vez, nova e eternamente juntos, até que a morte os separe. Chegaram ao aeroporto com duas horas de antecedência. Dona Sílvia, mãe de Amanda, adora um aeroporto. Gosta de se imaginar sentindo a ansiedade das pessoas prestes a perder o voo e gosta mais ainda de olhar a vitrine da butique que, entre outros artigos importados, vende perfumes franceses e óculos escuros da Prada. Arrastando o marido, Afonso, por entre prateleiras e prateleiras de muamba, deixa escapar frases como "ai, Fon, essa camisa ficaria linda em você" e, logo em seguida, como se apenas desse asas à imaginação, "e esse óculos? Imagina a gente chegando no clube para almoçar, você com a camisa e eu de óculos novo...". Ele sorri e desconversa, o olhar perdido na vendedora de produtos de beleza femininos. "No exterior é mais barato", argumenta, "vou lhe dar de presente quando formos pra Nova Iorque". Saem da loja de mãos vazias e a cabeça borbulhando de devaneios - sonhos de consumo e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;flashes&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; de filmes pornô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda e Paulinho os esperam diante da entrada para os portões de embarque, ela pendurada nele, fazendo o gênero venho-tanto-a-Cumbica-que-nem-vejo-graça. Emburrada, cumprimenta os pais com um amistoso "aonde é que vocês se enfiaram? Estamos plantados aqui há vinte minutos!". Para orgulho dos progenitores, foi tratada desde pequena como o centro do mundo: "estudou em colégio particular e levou duas empregadas à loucura", gabou-se uma vez Dona Sílvia. Justificando-se, derretida, a mãe enfatiza a primeira sílaba do vocábulo importado, "a fila &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;check in &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estava enorme. Pensamos que ia demorar". Amanda desacredita, bufa e o genro contemporiza, aproveitando a deixa, "olha lá, amor, depois você reclama que está com saudade da comidinha dela". O sogro ri da piada e toma a iniciativa da despedida. Abraços, beijos, divirtam-se, promessas de presentes e o casal desaparece. Ainda acenando em vão, Dona Sílvia apaga com o lenço uma furtiva lágrima - o clímax de uma ópera suburbana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do portão de embarque, o casal depara-se com a multidão de brasileiros que contamplam a atordoada movimentação dos funcionários da companhia aérea. Amanda se desanima. Não havia espaço para gente feia nos sonhos recorrentes das últimas semanas. A decepção se mescla à irritação, "ai, que povinho feio", e Paulinho come a bronca, "se você tivesse aquele cartão preto a gente esperava na sala vip e não no meio desse monte de jean charles". Acostumado com os rompantes da esposa, limita-se a apontar para dois assentos vagos, "ali tem lugar. Vem sentar, amor". Aos seus olhos apaixonados de novela das seis, a miséria de espírito se confunde com a graça das crianças que protestam por um pouco de carinho. Senta-se e acomoda a bagagem de mão ao seu lado. "Toma cuidado para não encostar nessas sacolas imundas, Paulinho", recomenda Amanda. Cumprindo a instrução, recosta a cabeça no ombro dela. Ficam em silêncio, contemplativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ideia numa cabeça acostumada com pagode e kinoplex tem duração breve, pouco mais de 2 minutos. "Deixa eu ver as espaldas do urso", sussurra Amanda ao ouvido do maridão. Paulinho inclina o corpo para frente, permitindo que ela levante a camisa e examine suas costas. "Com cuidado para não machucar, amor". Amanda coloca os óculos de grau e inicia a cirurgia. "To com água na boca", confessa enquanto espreme uma espinha cor de manteiga. Saca uma caixa de lenços da bolsa e limpa as unhas dos polegares antes de cavocar a omoplata de Paulinho, em busca de um pelo encravado. "Ai, ai, amor!", protesta Paulinho, afastando as costas das mãos da algoz. "Calminha, urso, que a coisa aqui tá feia. Vem com a mamãe". Ele exige uma bitoca antes de se doar novamente ao tédio churdo da esposa. Amanda segue firme na limpeza. Prende a língua entre os dentes e aperta os olhos em momentos mais críticos. Paulinho esboça uma expressão de dor e logo volta a ruminar um devaneio obscuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois, uma aeromoça finalmente anuncia o início do embarque. "Ufa. Vambora, amor, que atrás vem gente!". Os dois se apressam para não perder um bom lugar na fila. As férias estão só começando e o velho mundo os espera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-1598077477061572301?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/1598077477061572301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=1598077477061572301&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/1598077477061572301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/1598077477061572301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2010/10/amanda-e-paulinho-sao-namorados-ha-dois.html' title='sala de embarque'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TObWllv-eCI/AAAAAAAAADM/zEtGopD7Ow8/s72-c/acne.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-8709384001851375900</id><published>2010-10-06T13:37:00.008-03:00</published><updated>2010-10-07T01:04:02.532-03:00</updated><title type='text'>7 de setembro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKzGGTZyFpI/AAAAAAAAADE/7jZZcEJQCZg/s1600/0423_Brasilia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; WIDTH: 250px; FLOAT: right; HEIGHT: 254px; CURSOR: pointer" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525008654466684562" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKzGGTZyFpI/AAAAAAAAADE/7jZZcEJQCZg/s400/0423_Brasilia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ontem, lembrei-me de uma pouca e boa deste nosso Brasil. Mas antes de contar devo me desculpar pela demora em escrever. Acontece que as discussões políticas no facebook estão em alta, e não consigo conter o ímpeto de comentar certos comentários irônicos e superficiais. Para usar uma analogia digna do nosso Presidente Lula, política em tempo de eleição pode ser como jogo de final de campeonato. Mas vamos ao fato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as capitais brasileiras, a capital do Brasil, este alphaville chamado Brasília, deve certamente possuir o título de melhor parada militar do País. Nunca tive a oportunidade de exercitar o espírito cívico numa manhã de sete de setembro brasiliense, mas, a julgar pela quantidade de pacotes de salgadinho e latas de refrigerante abandonados na rua, o evento deve ser bastante concorrido. A preparação do desfile começa com pelo menos duas semanas de antecedência. Nas duas margens da avenida que corta o lado esquerdo da Esplanada são armadas arquibancadas de metal. O módulo central, bem em frente ao Ministério da Defesa, é reservado ao Presidente da República e seu séquito de ministros, generais, almirantes, brigadeiros e demais aspones. Tiras de tecido verde e amarelo são amarrados aos postes de luz, do Planalto até a rodoviária. A Brasília se enche de uma beleza patriótica que faria marejar os olhos de qualquer anarquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ao que parece, todo ano, a Presidência formaliza convite a uma autoridade estrangeira para participar do desfile como convidado de honra. Ano passado, quando a França era a nossa melhor amiga, convidaram o Sarkozy, e os caças supersônicos RAFALE rasgaram o céu do planalto central. Sobrevoaram a minha casa, obrigando-me a levantar antes das nove. Zuniam como balas, deixando atrás de si rastros coloridos - vermelho, azul e branco, as cores da liberdade, da fraternidade e da igualdade, e verde e amarelo, as cores do carnaval nos trópicos. Como a grande maioria das pessoas, fico ranzinza quando sou acordado em finais de semana e feriados. Talvez por isso tenha aberto a janela, olhado para o céu, coçado a bunda e pensado laconicamente, "aviões... rastros de merda... viva..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, novamente, cabulei o desfile do sete de setembro. Às cinco da tarde, quando o movimento na Esplanada já tinha se reduzido ao voo rasante do lixo ao vento - paisagem que poderia ser o cenário de um filme de faroeste futurista -, arriscamos fazer uma visita ao Museu da República. Para quem não sabe, aqui na capital existe uma praça chamada Conjunto Cultural da República onde estão instalados a Biblioteca Nacional, o museu mencionado há pouco e uma espécie de tampinha de concreto, em que, tudo leva a crer, Niemeyer planejou a instalção de um café ou restaurante. À imagem e semelhança do Memorial da América Latina, o Conjunto Cultural da República é um mar de cimento salpicado de pequenas manchas negras que um dia, na boca de adolescentes, foram pedaços de babalu e ping-pong. No clima desértico do cerrado, uma visita ao museu ou à biblioteca pode custar ao curioso uma &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;insolação. A temperatura na praça deve ser pelo menos cinco a dez graus mais elevada que a do resto da cidade. O Conjunto Cultural da República é uma chapa de zinco quente. Niemeyer talvez tenha adequado o projeto à insônia durante a qual foi concebido: um local para ser visitado apenas à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema da exposição em cartaz era a arquitetura pós-moderna japonesa. Estávamos bastante animados para apreciar as lendárias soluções nipônicas para a falta de espaço. Quase cegos pelo reflexo do sol no solo lunar do Conjunto Cultural da República, adentramos a sombra da rampa que dá acesso ao segundo andar do Museu. Diante da entrada do térreo, havia dois guardas batendo papo e, atrás deles, uma porta de vidro filmado cerrada. Os dois estavam sentados sobre cadeiras de escritório que me chamaram a atenção justamente por serem do modelo genérico - assento giratório, com rodinhas - e estarem completamente fora do lugar. Por um breve instante, tive a sensação de contemplar o mictório surrealista de Duchamp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Boa tarde", disse um deles ao perceber nossa presença. "Boa tarde. A exposição?". O homem tirou o boné e coçou a cabeça suada, "infelizmente está fechada hoje". Contestei, "mas hoje é feriado". Ele confirmou, "justamente. Hoje é feriado e junta muita gente na parada militar". Sem compreender o comentário, indaguei, "e daí?". Ele riu, "e daí que ano passado a gente abriu no sete de setembro e o museu encheu de gente". Ainda sem entender, insisti, "e daí?". Ele riu novamente e com um sorriso pacífico de interior de estado no rosto, concluiu, " e daí que só nós dois não damos conta de tomar conta de tanta gente aí dentro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo da ópera: no dia 7 de setembro, data em que todo mundo está de folga e se dispõe a visitar o plano piloto para comemorar a data nacional, o Museu da República estava fechado. A justificativa: "junta muita gente". O Brasil que me desculpe, mas esta nossa capital é de chutar o pau da barraca...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-8709384001851375900?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/8709384001851375900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=8709384001851375900&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8709384001851375900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8709384001851375900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2010/10/7-de-setembro.html' title='7 de setembro'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKzGGTZyFpI/AAAAAAAAADE/7jZZcEJQCZg/s72-c/0423_Brasilia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-8629641028454760138</id><published>2010-09-27T12:48:00.008-03:00</published><updated>2010-09-27T20:10:25.890-03:00</updated><title type='text'>censo comum</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKEYztl3DAI/AAAAAAAAAC8/rS5DGZJJ50g/s1600/censo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKEYztl3DAI/AAAAAAAAAC8/rS5DGZJJ50g/s400/censo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521721894823726082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:130%;" &gt;Na semana passada, havia um aviso no elevador do prédio anunciando que a recenseadora Raquel se encarregaria de entrevistar os moradores do meu bloco. O aviso não indicava data nem horário. Apenas informava que Raquel tocaria a campainha de casa, devidamente uniformizada e cheia de dúvidas Dizia, também, que era obrigação de todo brasileiro responder corretamente às perguntas do censo, pois, agindo assim, corretamente, estaríamos contribuindo para construir um futuro melhor para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos a semana toda pela Raquel. A campainha nunca soou. Na sexta, havia um bilhete na caixa de correio: "o(a) recenseador(a) __&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: arial;font-size:130%;" &gt;Raquel&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-size:130%;" &gt;____" havia tentado nos encontrar pelo menos duas vezes sem sucesso. "Ela" pedia a gentileza de telefonarmos para para marcar a data e o horário de sua visita. Voltaria especialmente para nos entrevistar. Segundo o bilhete, era obrigação do(a) recenseador(a) visitar todos os moradores da área para a qual havia sido designado(a). Ninguém poderia ficar de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligamos para a Raquel ontem de manhã. O telefone tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes. Quando a moça finalmente atendeu, sua voz parecia emergir dos subterrâneos do sono. Disse-lhe meu nome e expliquei quem era. Ela demorou a entender, como se a consciência não estivesse desperta o suficiente para distinguir sonho de realidade. Provavelmente estava de ressaca. Falava arrastado, com dificuldade de articular, o que me pareceu um claro indício que sua língua estava colada aos dentes e às paredes da boca. A saliva, na seca de Brasília, reage com o álcool e produz uma espécie de goma. Mesmo certo de que Raquel teria um dia de merda pela frente - outro efeito colateral do porre brasiliense é a cefaleia lancinante -, sugeri que nos encontrasse em casa, às 14:30. Ela titubeou, concordou e despediu-se com algo semelhante a "enthão, athé de tharde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do almoço, à espera do censo, deliciei-me com o editorial do Estadão, sentado despoticamente no trono de louça que promove a igualdade entre os homens. Amo a ironia. Mas as páginas seguintes  ao mais recente achincalhe à falta de escrúpulos do petismo estragaram o momento, noticiando uma sequência de fatos lamentáveis, como de hábito: a) uma quadrilha de lobistas e políticos corruptos, incluindo o Governador, fraudaram uma licitação milionária no Tocantins; b) os meios de comunicação foram proibidos de divulgar o caso por conta de uma liminar expedida por um desembargador filha-da-putamente obtuso; e c) várias entidades de representação de classe - excluídos os sindicatos pelego-lulistas - protestavam contra os ataques à liberdade de imprensa. Foi o impulso que necessitava para fechar o jornal, higienizar os abismos do corpo, escovar os dentes e bater papo enquanto aguardávamos Raquel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invés da campainha, soou o telefone. Raquel informou que já havia visitados todos os moradores da 105 sul menos a gente e que, portanto, julgava desnecessário perder tempo conosco. Ela obviamente não estava interessada em construir um futuro melhor para o Brasil. Devia ter acabado de concluir que o vale coxinha que andava recebendo do IBGE não valia a caminhada (e a náusea) debaixo do escaldante sol do cerrado. Perguntei se aquela omissão não caracterizaria algum tipo de "improbidade administrativa" e se a pesquisa não seria prejudicada. Não foi a resposta. Insisti: "tem certeza? Imagine se uma casa a cada quarteirão for ignorada, será que nem assim teríamos um problema?". A reposta foi um não um pouco mais elaborado: "qualquer coisa, a gente completa com a imaginação". E desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descartado pelo censo como estrume, percebi que ingressava numa das minhas experiências negativas. Um bunda, tão insignificante que não merece nem ser entrevistado pelo censo. Não parece fazer parte das estatísticas brasileiras. Um nada. Moribundo, começava a dar voltas no vicioso círculo da baixa auto estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que aprendi um bocado desde que resolvi perder tempo relatando episódios cinzentos do cotidiano. A maturidade é o momento na vida do burguês em que ele aprende a barrar o princípio de depressão sem a ajuda do zoloft. Bastou refletir um pouco e concluir que Raquel era preguiçosa. A preguiça, versa o censo comum, é a mais brasileira das virtudes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-8629641028454760138?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/8629641028454760138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=8629641028454760138&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8629641028454760138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8629641028454760138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2010/09/censo-comum.html' title='censo comum'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TKEYztl3DAI/AAAAAAAAAC8/rS5DGZJJ50g/s72-c/censo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-6059262422866637644</id><published>2010-09-22T17:47:00.011-03:00</published><updated>2010-09-23T18:59:45.195-03:00</updated><title type='text'>renascido das fezes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TJpe57qZswI/AAAAAAAAAC0/3dlkBajG13Y/s1600/fenix.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 234px; height: 303px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TJpe57qZswI/AAAAAAAAAC0/3dlkBajG13Y/s400/fenix.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519828642657055490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tenho certeza que o leitor já ouviu falar da Fênix, a ave de fogo que, na mitologia grega, renascia das cinzas. É uma bela metáfora sobre a força e sobre a capacidade do homem de se adaptar às circunstâncias "sem deixar a peteca cair". O Bunda é como a Fênix - um idiota de plantão que, no oco digital do universo, renasce das fezes. Um renascimento sem a mesma beleza lírica, mas igualmente surpreendente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Renasci, mais uma vez, para detonar a miséria de espírito, a pobreza intelectual, as lambanças que tornam este nosso Brasil uma eterna promessa de futuro e, agora também, a burocracia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;latu sensu&lt;/span&gt;. Voltei, embalado por um grupo de amigos que decidiu se unir para formar uma confraria de escritores em potencial. Ainda não tive a capacidade de me inscrever no e-group criado por eles, mas um dia chego lá. Por meio do facebook soube que um dos nobres quase-literatos leu o primeiro post deste Buraco e ficou bastante impressionado com o veneno com que pintei um retrato íntimo da classe média. Para quem não se recorda, o primeiro textículo do Buraco tratava de maus hábitos anais: papel higiênico, água fria, repúdio ao próprio corpo e contrastes entre aparência e essência. Tenho de admitir que fiquei bem feliz em ser citado num veículo de comunicação tão eficiente quanto o facebook. O fato me deu ganas de voltar a escrever. Prometo (tentar) não deixar a peteca cair de novo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Todo escritor precisa evoluir na sua arte. Todo amador também. O assunto de hoje não é a classe média, mas a "classe burocrática" de Brasília. A burocracia da capital federal é dividida, grosso modo, em cargos de confiança e funcionários de carreira. Os primeiros são as indicações políticas (DAS) e os outros constituem a categoria dos concursados. Muita gente da turma do DAS veio de São Paulo. Estudaram no Largo São Francisco ou na PUC. A maioria formada em Direito, alguns em economia, relações internacionais e ciências sociais. Lembro-me bem de uma eleição, há alguns anos, quando nosso saudoso Maluf concorria a prefeito. Os setores ilustrados e os setores engajados da "sociedade" se aliaram para desbancar a candidatura do turco ladrão. Foi um momento de epifania democrática na efervescente vida política da zona oeste de São Paulo. Todos juntos contra um inimigo comum. Diferenças "ideológicas" deram lugar ao consenso, e se alguém diminuisse o volume das conversas nos bares da Vila Madalena, era possível ouvir as vozes e os violões de Chico Buarque e Geraldo Vandré embalando a moçada. Ridicularizava-se o argumento fundamental do malufismo - o princípio do rouba, mas faz -, invocando a ideia weberiana de que a atividade política é vocação e não um meio de enriquecimento ilícito. Os setores engajados da "sociedade", arautos da verdade, praticamente-inquisidores, eram os mais veementes críticos da falta de ética no exercício do poder. Estufavam o peito e enchiam a boca para escarafunchar o furúnculo da corrupção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A imprensa brasileira foi recentemente inundada por denúncias de tráfico de influência e nepotismo contra a Ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. O Governo acusou os meios de comunicação de conspiração. A ex-Ministra e Chefe há quinze anos de Erenice, Dilma Roussef, afirmou que "é impossível saber o que todas as pessoas da família fazem", eximindo-se de responsabilidade sobre os delitos cometidos debaixo de sua narina. Algumas publicações rasteiras, em nome da neutralidade jornalística, lançaram reportagens acusando outras publicações também rasteiras de praticarem mau jornalismo, desinformando o público a respeito dos fatos para favorecer a oposição, liderada pelo "candidato tucano e seus demos". A turma do DAS, cujo núcleo duro é o setor engajado da "sociedade", faz coro com tais veículos e, ao invés de apresentar provas que desmintam as denúncias, defende o Governo com base em acusações. Fazem-no com vapor nas retinas e a voz exaltada, a poucos centímetros de perder-se no grito - algo parecido com o que deve ter sido o autoritarismo bolchevique. O "argumento" que mais tenho ouvido é este: "em 98 o PSDB pagou para aprovar a lei que permitiu a reeleição do FHC".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vamos lá... De minha parte, adoro discutir política, apesar do estresse que esse tipo de discussão provoca. Sou contra a Dilma e contra o PT, ponto final. Faço questão de dizer isso logo de cara. É a deixa para o interlocutor supor que sou tucano ou democrata-demoniáco. Petista tem mania de perseguição, não sei por que. De imediato, surgem argumentos do tipo "em compensação", como o mencionado há pouco. CAGUEI E ANDEI para o PSDB. Quero apenas que me apresentem argumentos convincentes para confirmar o partidão, corrupto e aliado de figuras deploráveis como Sarney, Renan Calheiros e (até hoje fico pasmo) Fernando Collor de Melo, no comando do País por mais 4 anos. Há muitos outros canidadatos além do vampiro. Há, inclusive, uma candidata de origem simples e que, ao contrário do nosso atual Presidente, redentor dos oprimidos, orgulha-se, e muito, da sua educação formal. Digo isso tudo e recebo o seguinte argumento: "dos males o menor". Ou seja: o vampiro é ladrão, a criacionista é despreparada (e crente) e a Dilma, apesar de sua assessoria corrupta, é a solução. Tem cabimento? Não tem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O ponto onde quero chegar é que a turma do DAS e grande parte do setor engajado da "sociedade" queima a língua, renega o passado e ofende a ética. Votar no PT hoje é, fundamentalmente, igual a votar no Maluf, algo que nos idos da década de 1990 era deplorável, punido no sétimo círculo do Inferno. Prevalece na cabeça do eleitor petista o velho e tosco bordão do turco bandido: "rouba, mas faz". É uma pena. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-6059262422866637644?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/6059262422866637644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=6059262422866637644&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/6059262422866637644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/6059262422866637644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2010/09/renascido-das-fezes.html' title='renascido das fezes'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/TJpe57qZswI/AAAAAAAAAC0/3dlkBajG13Y/s72-c/fenix.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-5537995125046212885</id><published>2009-04-29T00:51:00.005-03:00</published><updated>2009-04-29T01:01:01.104-03:00</updated><title type='text'>TOQUE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SffPkSjVnzI/AAAAAAAAACI/Yu7PrJmrV_M/s1600-h/toc.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 275px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SffPkSjVnzI/AAAAAAAAACI/Yu7PrJmrV_M/s400/toc.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329956906378567474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:donotoptimizeforbrowser/&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A síndrome do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOQUE) corrói o cérebro da classe média. Trata-se do mau gosto nos mínimos detalhes. Em tudo o que põem a mão há um toque de refinamento. Por exemplo: a mania de converter nomes mundanos em criações literárias de banca de jornal. Se a fulana tivesse nascido em berço esplêndido – ou de pais minimamente ilustrados no bom senso –, chamar-se-ia Carolina ou Adriana ou Mariana. Como nasceu no subúrbio da cidade grande, numa daquelas casas subtraídas de quintal, cujos portões invadem o passeio público para dar lugar à traseira do carro do ano, financiado em 36 vezes, atende pela graça de Carolin&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;e&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, Adrian&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;e&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, Marian&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;e. &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mãe, obesa e loira, excluídas as raízes dos cabelos, e o pai, tatuado, fortinho&amp;amp;foda, escolheram o nome por conta do verniz, como se os sufixos -ane, -ene e -ine denotassem estirpe e fossem muito comuns na literatura francesa do século XIX. A menina cresce idolatrando Xuxa e todos os Genéricos congêneres: Angélica e Eliana na versão infantil, Adrian&lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;e&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Galisteu e Luciana Gimenez na versão adulta e Hebe Camargo e Ana Maria Braga na versão senil/esclerosada. Dá escândalo no shopping sempre que passa diante de uma vitrine e identifica o mais novo modelito de sandália assinado por qualquer uma de suas ídolas. A mãe, que não gosta de fazer feio nos almoços familiares de domingo, geralmente realizados na choperia do bairro, ao sabor de galeto de frango, tampouco resiste a comprar o acessório de plástico rosa (no cartão de crédito do marido) para embelezar a filha. No fim de semana, a felicidade vem em dobro: a mãe mostra que não só entende de moda como pode pagar por ela e a menina, fantasiada de boneca de luxo, interpreta, para os parentes e para as demais pessoas presentes no restaurante, a última canção de Ivete Sangalo. Do outro lado da mesa, a madrinha, orgulhosa, bate palmas e comemora, “parece uma atriz mirim!”. O toque pode representar a decadência mais prosaica e feliz. Carolin&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt; e Adrian&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;span style="font-style: italic;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Marian&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e &lt;/span&gt;cumprirão seu destino e tornar-se-ão putas, senão de fato, pelo menos de espírito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-5537995125046212885?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/5537995125046212885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=5537995125046212885&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/5537995125046212885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/5537995125046212885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2009/04/normal-0-21-sindrome-do-transtorno.html' title='TOQUE'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SffPkSjVnzI/AAAAAAAAACI/Yu7PrJmrV_M/s72-c/toc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-5325637980125897165</id><published>2009-04-07T22:36:00.007-03:00</published><updated>2009-04-07T23:53:29.330-03:00</updated><title type='text'>bunda is back!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwPqZw64kI/AAAAAAAAABA/TjcRszPrIts/s1600-h/autism.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 247px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwPqZw64kI/AAAAAAAAABA/TjcRszPrIts/s320/autism.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322146080790078018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;De fato, Bunda is back. O novo textículo ficou apenas um fim de semana no ar, e já tenho o prazer de degustar um comentário - breve, mas elogioso. Ora, todos gostamos de ser o centro das atenções. Em particular os bundões, que, se não se expõem ao ridículo, ao escárnio de todos, passam integralmente despercebidos, como aparelhos de TV em tardes de domingo. Bundões falam sozinhos, para as paredes. Prestar-lhes atenção é o mesmo que notar algo fora do lugar ou fora de sintonia. Saudações a todos que voltam a se aventurar neste buraco negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o almoço de hoje em estado de autismo. Fui convidado pela minha chefe para sentar à mesa junto com funcionários de terceiro e quarto escalões do Ministério vizinho ao nosso e de uma das agências governamentais sediadas no Rio. Predominaram conversas relacionadas a processos burocráticos, ponderações acerca do papel do Estado como fomentador de micro e pequenas empresas e os habituais gracejos sobre a canalhice que corre solta nos Poderes Legislativo e Judiciário. Acompanhei esses tantos assuntos do mesmo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bunker&lt;/span&gt; de onde degustava, com perplexidade e desconfiança, a comida natural que rendeu ao cardápio do restaurante o direito de ostentar preços, no mínimo, indecentes. Brasília é uma cidade no litoral do lago Paranoá - daí a mania carioca de saúde, magreza e pele cor de cenoura. Restaurantes naturais fazem bastante sucesso nesta praia. Prosperam. Fui incapaz de me engajar na conversação que se desenrolava diante de mim. Já experimentei sensação semelhante no teatro, ao assistir a peças que não me disseram nada ao espírito. Não é por falta de compreensão do que está sendo dito. Tem a ver com uma modalidade de tédio que não é bem tédio, mas completo desinteresse por aquilo que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu &lt;/span&gt;poderia dizer caso quisesse dizer algo. Melhor olhar através das palavras, decifrar os pensamentos e as neuroses que os dedos e os ombros das pessoas não sabem camuflar. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Escritores são retratados como autistas nos filmes porque escrever exige mesmo um bom bocado de autismo antes da labuta com a caneta e o teclado. Na vida real, porém, compartilhar refeição com alguém assim é disperdiçar uma hora e meia do dia na companhia de um completo babaca. Não se fazem mais literatos como na ficção de antigamente, apenas bundões e prepotentes orgulhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei do transe quando o garçom me abordou com a máquina do Visa e com a informação de que lhe devia 44 reais e 70 centavos, com serviço. Paguei no crédito para não ter que me deparar com trouxinhas de berinjela recheadas de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;cream cheese&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; (crim xisi) e tomate seco até o mês que vem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-5325637980125897165?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/5325637980125897165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=5325637980125897165&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/5325637980125897165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/5325637980125897165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2009/04/bunda-is-back.html' title='bunda is back!'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwPqZw64kI/AAAAAAAAABA/TjcRszPrIts/s72-c/autism.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-8224852916751009588</id><published>2009-04-04T22:38:00.008-03:00</published><updated>2009-04-05T02:28:08.547-03:00</updated><title type='text'>a volta do malandro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdhA6WyKM_I/AAAAAAAAAA4/ERTmx7YP79w/s1600-h/tamborim.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 285px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdhA6WyKM_I/AAAAAAAAAA4/ERTmx7YP79w/s320/tamborim.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321074331030795250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:donotoptimizeforbrowser/&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1  {size:612.0pt 792.0pt;  margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;  mso-header-margin:36.0pt;  mso-footer-margin:36.0pt;  mso-paper-source:0;} div.Section1  {page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:78%;"  &gt;Nesta vida, o tempo passa rápido. Lá se vão dois anos desde o último textículo. A natureza, no entanto, é estática. Como rezam o ditado e a empolgante canção da ex-banda de Carla Perez: pau que nasce torto, nunca se endireita. Tornei-me servidor público; “alto funcionário” do Governo federal. Tenho um salário e uma rotina em Brasília. Burocrática, sem dúvida, mas enfim posso dar-me o luxo de ir ao supermercado e comprar queijo  &lt;i&gt;maasdam&lt;/i&gt; e vinho do Porto, dois caprichos que outrora me custavam o dinheiro que não tinha. Meus amigos agradecem imenso - finalmente tenho para custear a cerveja de quinta-feira. Aqueles que se diziam amigos não perdem a oportunidade de cobrar-me antigas dívidas que a verdadeira amizade teria tratado de prescrever. Que seja - quem não teme, não deve. A tão almejada estabilidade financeira, situação gozada apenas pelos definitivamente empregados - carteira assinada e dinheiro aplicado -, chegou. Todos os dias, saio de casa engravatado para o trabalho. Por baixo do terno e do orgulhoso aspecto típico dos recém admitidos diplomatas, misto de executivo prodígio com intelectual humanista, o bom e velho bundão. Como disse, a natureza das coisas e das pessoas não muda. Nem perdoa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:78%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:78%;"  &gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:78%;"  &gt;Acabo de regressar do primeiro ensaio daquele que virá a ser o mais irreverente bloco carnavalesco de Brasília. Os chegados da repartição tiveram a espirituosa idéia de lançar uma banda de sambas e marchinhas para tornar a idéia de estar condenado à Capital Federal para o resto da vida profissional menos insuportável. Produzimos um barulho terrível, mas bastante animado para uma tarde de sábado chuvosa. Unidos pela alegria e pela batucada, tomamos muita cerveja e comemos muito fandangos. A diversão pode ser simples como bater papo à varanda da casa, diante da piscina com cascata e do jardim meticulosamente aparado. Começo a entender o prazer de alguns em passar a tarde com os amigos da faculdade, diante da grelha em brasas e imerso no dialético debate sobre a santa trindade - mulheres, futebol e cachaça. Afinal, participar de uma banda de samba me torna mais um partícipe daquele abominável universo mental do playboy da Zona Oeste de São Paulo? A princípio, sim. O Rio de Janeiro, porém, há de redimir-me.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;O Presidente do bloco, alcunhado “Eternos nesta Brasila” por conta de um vídeo que há muito circula no youtube e retrata um jovem ator global, astro de malhação, dizendo abobrinhas durante festa da &lt;i&gt;high society&lt;/i&gt; brasiliense, enriquecida por meio de esquemas de grilagem e corrupção, é carioca. Cariocas também são os homens do tamborim, do pandeiro e do surdo. Ora, se Vinícius de Moraes chamou São Paulo de túmulo do samba não foi à toa. O samba nasceu com o Rio de Janeiro: a cidade é a pátria de todos os mestres desde Noel. O que seria do Bola Preta no fogo cruzado de motoboys da Avenida Paulista? O que seria da Banda de Ipanema na Marginal, desfilando loucura às margens do Rio Pinheiros? Quando um grupo de playboys paulistanos reúne-se com pretensões carnavalescas não se pode esperar mais do que uma solução trivial para cativar a atenção daquelas menininhas que se formaram no colégio junto com eles, mas ainda não foram fisgadas pelo anzol dourado do casamento perfeito. Aqui a coisa é distinta. Meu recente envolvimento com o tamborim explica-se pela empolgação coletiva e de sotaque inconfundível que marcou um almoço de sexta-feira há algumas semanas. Participar do bloco é quase um pressentimento, como tantos outros que vez ou outra perturbam meus pensamentos. Em fevereiro do ano que vem, espero celebrar meu último carnaval no Brasil antes de uma longa década de trabalho e reflexão no exílio. Que seja ao som do tamborim e entre bons amigos sambistas de verrrdade. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-8224852916751009588?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/8224852916751009588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=8224852916751009588&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8224852916751009588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/8224852916751009588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2009/04/volta-do-malandro.html' title='a volta do malandro'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdhA6WyKM_I/AAAAAAAAAA4/ERTmx7YP79w/s72-c/tamborim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-4993555504376180780</id><published>2007-03-16T19:34:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T11:50:16.721-02:00</updated><title type='text'>bunda in brasília</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/Rfschcn9-dI/AAAAAAAAAAM/v3z7gIB0Aeo/s1600-h/ppiloto.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/Rfschcn9-dI/AAAAAAAAAAM/v3z7gIB0Aeo/s320/ppiloto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042655568716495314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoBodyText"&gt;Hoje fiquei bem puto. O pagamento do seguro do meu carro atrasou, e fui escalado pra fazer uma vistoria prévia. Os endereços das oficinas que a Porto Seguro me mandou eram todos de cidades satélites, afinal, no Plano Piloto não há um setor automobilístico W3XPTO. Lá fui eu conhecer Guará numa linda tarde de sexta-feira. (A propósito, estou em Brasília.)&lt;/p&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Custei pra achar a mecânica, cujo nome é realmente um capricho da função poética da linguagem: AdAUTO Coelho. Adivinhem o nome do dono! Pois ele não estava, e quem me atendeu foi o Fábio. O profissionalismo do rapaz, característica que torna os serviços paulistanos excepcionais e inexiste no Planalto Central, assim como em qualquer parte do Brasil fora do Sudeste, deixou-me contente. Expliquei a ele meu problema, e Fábio, sem titubear, apresentou-me a solução: "vistoria prévia, senhor, é só na própria Porto Seguro, que fica na Asa Norte".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para quem não conhece Brasília, a cidade tem o desenho de um avião (ou de um passarinho, como queiram). Guará fica a uns quarenta minutos da saída sul, localizada na extremidade da asa sul. O escritório da Porto Seguro, por sua vez, localiza-se na asa norte, a direção, em palavras que apetecem aos pedantes da academia, DIAMETRALMENTE OPOSTA. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Agora, é só fazer as contas: 40 minutos para chegar a Guará, 30 minutos pra achar a AdAUTO Coelho, 20 minutos pra ser informado de que havia me fodido redondamente, 20 minutos pra encontrar a saída de Guará que leva a Brasília (curiosamente, a cidade só tem placas em uma das mãos da avenida; quem segue no sentido contrário está como cego em tiroteio), 40 minutos pra chegar a Brasília e 30 minutos no trânsito das 18 horas (levando em consideração que os segundos piores motoristas do Brasil são os candangos – os primeiros são os soteropolitanos – e que eu me perdi). A soma dá 180 minutos ou 3 horas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estou em um momento um tanto quanto delicado da vida. Meu tempo está valendo ouro. Perder a tarde rodando inutilmente debaixo do sol escaldante do cerrado significa pra mim enorme prejuízo. Além da gasolina, deixei de investir horas preciosas nos livros de Direito e Economia. Para agravar ainda mais o quadro, o mau humor com que cheguei em casa foi tamanho que não consegui me concentrar em outra coisa senão a perspectiva de encher a cara de cerveja mais à noite. O dia de estudos foi pro brejo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Pensando bem, o que mais me emputeceu no dia de hoje não foi Guará nem a atendente da Porto Seguro que me mandou ir lá. Foi o Lúcio Costa. Esse filha da puta inventou a única cidade no mundo onde é possível se perder andando em círculos idênticos. Trata-se de um verdadeiro paradoxo. Como há poucos edifícios em Brasília e sua topografia é plana, o destino a que se quer chegar pode ser visto de praticamente qualquer ponto da cidade. A avenida que leva até ele é também visível. Porém, chegar é impossível. Brasília constitui um labirinto intransponível cuja saída, no entanto, é evidente. E nada no mundo pode provocar mais cólera do que sair de um lugar e retornar a ele indefinidamente. A paisagem que se repete parece querer enlouquecer o motorista, incutindo-lhe vertigens de ódio profundo; os pedestres, reconhecendo o mesmo automóvel passando uma, duas, três, quatro vezes, confirmam para si mesmos, “que perfeito bundão – ou é louco ou é idiota”. Viadutos, rotatórias, retornos – na capital federal, tudo leva ao mesmo ponto: o ponto de partida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:12;"  &gt;Dizia-se, na Antiguidade, que todos os caminhos levavam a Roma. Hoje, posso dizer quase o mesmo: todos os caminhos levam à puta que pariu Lúcio Costa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-4993555504376180780?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/4993555504376180780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=4993555504376180780&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/4993555504376180780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/4993555504376180780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2007/03/braslio.html' title='bunda in brasília'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/Rfschcn9-dI/AAAAAAAAAAM/v3z7gIB0Aeo/s72-c/ppiloto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116873325680713726</id><published>2007-01-13T22:04:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T22:13:11.956-02:00</updated><title type='text'>bobo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4080/1942/1600/825317/bozo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4080/1942/320/486091/bozo.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Na literatura, são denominadas personagens planos pois não possuem complexidade psicológica alguma. Têm sensibilidade emocional inferior à bauxita, minério de onde é extraído o alumínio, e inteligência questionável, não do ponto de vista do QI – pois em geral escolhem profissões exigentes como a medicina, a engenharia ou, mais comumente, o mercado financeiro –, mas no que se refere à sua incapacidade total para apreender a vida por meio da intuição. Há um trecho do livro &lt;i&gt;Herói Devolvido &lt;/i&gt;em que Marcelo Mirisola escreve a respeito de Pepe: “Pepe não era retardado mental porque queria ficar rico e comprar um apartamento em Miami; Pepe era retardado mental porque tinha síndrome de Down”. As bestas às quais me refiro enquadram-se no primeiro caso. Sua doença é a bobeira aguda, agravada pela perspicácia com os números. São cegas para as coisas simples. Levam a sério filmes como “Guerra nas Estrelas”. Mas o pior mesmo é que podem pagar pela verdade, de modo que o desconcerto do mundo resume-se à alta da taxa de juros. Não existe nada mais perigoso para a Humanidade que a demência com milhões no bolso. Personagens planos não são mera fabulação literária. Existem na vida real. São fanáticos por futebol. São os donos da bola.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116873325680713726?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116873325680713726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116873325680713726&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116873325680713726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116873325680713726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2007/01/bobo.html' title='bobo'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116448576427362932</id><published>2006-11-25T18:10:00.000-02:00</published><updated>2006-11-25T20:35:59.686-02:00</updated><title type='text'>polaca</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4080/1942/1600/643007/debret%202.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4080/1942/320/762259/debret%202.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" face="arial" style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;A Constituição de 1937, que inaugurou o Estado Novo, ganhou, à época, o curioso apelido de “polaca”. Uma penca de gente deve saber que a alcunha denunciava a ilegitimidade da carta magna. Getúlio Vargas foi ditador e “polaca” significava prostituta. Mas o que as pobres polonesas tinham a ver com o meretrício no Brasil? Tudo e nada. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desde o início das imigrações européias, no século XIX, polonesas eram célebres no Rio de Janeiro pela beleza alva e, principalmente, pela didática ímpar com que ministravam aulas particulares de francês. A moda no Império era o Velho Mundo e, em particular, a França. Os refinados barões, marqueses e viscondes, apesar dos títulos tupiniquins, vestiam-se à parisiense e usavam corriqueiramente expressões importadas como “&lt;/span&gt;&lt;span  lang="FR" style="font-family:arial;"&gt;bon soir&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;” e “la vie est une grande merde”.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O nacionalismo exacerbado desse período, em que a nação brasileira era ainda um incerto projeto político, tinha os olhos voltados para o exterior e os pés na cozinha. Além de bens materiais, importavam-se idéias, comportamentos e estéticas que, adaptadas às circunstâncias locais – clima tropical, escravidão e imundície –, traduziam-se em paradoxos tipicamente brasílicos. Defendia-se a liberdade como valor universal, por exemplo, ao mesmo tempo em que a ojeriza racial permeava todas as relações sociais, inclusive aquelas de caráter íntimo. Desejava-se a modernidade num país arcaico. Eis que cariocas disputavam até mesmo a bala a expertise das polonesas, conscientes de que o domínio do francês garantir-lhes-ia prestígio nos meios influentes da Corte. Mesmo os nacionalistas mais exaltados dedicaram-se a aprendê-lo, nesse caso, simplesmente para protestar contra a origem lusitana do português, língua de pés-de-chumbo. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Escolas de idiomas logo se espalharam pela capital. A mais famosa delas pertencia à “Barbada”, mulata que ostentava bigode espesso e cavanhaque e recitava sonetos de Shakespeare num idioma semelhante ao inglês. Um anúncio no Jornal do Commércio, de 1876, informa que o slogan dessa respeitada instituição, parafraseando Júlio Verne, dizia “Mafuá da Barbada – volta ao mundo em 180 minutos”. Apenas profissionais do sexo feminino, estrangeiras, asseadas, comunicativas e dispostas a ensinar aquilo que seus países de origem tinham de melhor faziam parte do corpo indecente, isto é, docente. O Mafuá oferecia cursos regulares de quimbundo, tupi, hebraico, espanhol e, disparado o mais concorrido, francês. As aulas, todas com duração de três horas e nem um minuto a mais, contavam com atividades práticas as quais proporcionavam aos alunos não só o aprendizado da língua, mas também dos costumes estrangeiros. Escravas alforriadas davam aula de quimbundo, índias aculturadas, de tupi, cristãs novas, de hebraico, paraguaias refugiadas da guerra, de espanhol, e as encantadoras polonesas, de francês. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Há quem afirme, muito provavelmente com razão, que a “febre do ménage (corruptela de homenagem, certamente à França)”, como ficou conhecida a famigerada endemia de sífilis crônica que castigou o Rio no verão de 1872, tenha-se originado nas dependências do empreendimento educacional da Barbada. De fato, o campus não era lá muito sofisticado: uma velha casa, com cinco alcovas mal iluminadas e um porão, cujo telhado cedia perigosamente (e afinal despencou no ano de 1880, matando a dona e destruindo para sempre tesouros culturais de incalculável valor), localizada no alegre arrebalde que viria a chamar-se Baixada Fluminense. A rotatividade ininterrupta de estudantes aliada à morbidade dos trópicos nos meses de janeiro e fevereiro roubou o sossego, senão a vida, de muitos cavalheiros aspirantes a poliglotas. Em ambientes fechados e úmidos bactérias proliferam-se como gemidos em baile de carnaval. O inocente espirro de algum aluno enfermo que se tenha recusado a manter-se em sua casa, de repouso, bastou para infectar multidões de admiradores das culturas estrangeiras e, indireta e conseqüentemente, suas esposas e os amantes destas. Como o pânico tende a generalizar-se com impressionante rapidez nas cidades, entre os homens, assim como nos galinheiros, entre as galinhas, a febre do ménage logo aterrorizou a sociedade carioca. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A capital do Império, que ainda não se tornara exemplo mundial de urbanização – não contava com sistemas de saneamento básico, de modo que o esgoto doméstico era despejado diretamente nas ruas estreitas ou então transportado em “tigres” (grandes jarros de cerâmica) até a praia mais próxima e, então, lançado ao mar –, registrou, naquele fatídico ano de 1872, o maior êxodo urbano de toda sua história. Livrar-se dos maus ares do Rio era costume muito comum durante o verão. Aqueles que possuíam meios dirigiam-se a Petrópolis, seguindo o exemplo de D. Pedro II e da família real. Aos desvalidos restava a alternativa de mudar de hábitos, saindo menos de casa e evitando as proximidades do porto, onde, dizia-se, as doenças pegavam com maior facilidade. Nada mais entediante (e emburrecedor), contudo, que a manutenção da saúde. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Atualmente, versa o ditado que macho que é macho faz qualquer coisa em nome da virilidade. No século XIX, quando o Brasil era um país irreconhecivelmente mais inteligente, vide o exemplo de Machado de Assis em contraposição a Paulo Coelho, o dito popular enunciava outra verdade mais edificante: culto que é culto sacrifica tudo menos o prazer da erudição. Apesar da sífilis crônica, a freqüentação do Mafuá da Barbada não caiu. Victor Hugo figurava em primeiro na lista dos best-sellers, e a intelectualidade da Baixada estava ávida para lê-lo no original. As professoras polonesas trabalhavam incessantemente, ministrando aulas de manhã, à tarde, à noite e até de madrugada. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A opinião pública condenou a continuidade das atividades do Mafuá. Em tempos de mortalidade elevada, o moralismo endurece. No ano de 1872, condenou até mesmo os mais sérios centros culturais do Império brasileiro. Jornais promoveram ampla campanha de difamação da Barbada e de suas professoras, além de defenderem a extinção de todas as escolas de idiomas cariocas. Panfletos de autoria anônima foram distribuídos nas ruas tachando lingüistas de “gajas diabólicas que vivem para espalhar o mal” e seus locais de trabalho de “antros de imundície e perversão”. As polacas foram alvo privilegiado do ódio popular, pois, uma vez que dominavam o francês e esse era o idioma da moda, supunha-se que mais pessoas haviam infectado com a temida febre do ménage. O vulgo passou a chamá-las de meretrizes, barranqueiras, gulosas e prostitutas, entre outras coisas vis. Como é usual no Brasil, iniciativas que visam a melhorar as condições de vida e educação da população nascem fadadas à falência. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style=";font-family:arial;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; font-family: arial;"&gt;A injustiça contra as polonesas foi assim imortalizada pela ignorância das massas, entorpecidas pela propaganda “civilista” empreendida pelos meios de comunicação conservadores que se proclamavam “guardiões da civilização e da justiça”. Polaca tornou-se sinônimo de puta. Hoje em dia, quase sessenta anos após a morte de Getúlio Vargas, definir o caráter das pessoas em função de sua nacionalidade é politicamente incorreto e constitui preconceito. Prostituta tornou-se categoria supranacional. Quanto à Constituição brasileira de 1988, apesar de democrática, ela é tão injusta quanto a de 1937. Garante aos cidadãos brasileiros o direito a uma vida digna. Mas como tornar essa garantia realidade num país de filhos da puta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116448576427362932?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116448576427362932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116448576427362932&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116448576427362932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116448576427362932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/11/polaca.html' title='polaca'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116287991835734155</id><published>2006-11-07T04:10:00.000-02:00</published><updated>2006-11-07T14:12:12.676-02:00</updated><title type='text'>tocaia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/parque.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0pt 0pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/parque.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Se alguém me acusar de homófobo, quero que se exploda. Veado gosta mesmo é de tocaia. É impressionante a mania que eles têm de embrenharem-se nos matos e nas moitas dos parques da cidade. São sorrateiros como ratazanas, safados como velhos esclerosados comedores do próprio esperma e dissimulados como toda bicha que se preza. &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na calada da noite, ficam ali, à toa, rondando o passeio público. Uns fingem que estão malhando, entusiasmados com a chegada do verão e, claro, com as proporções dos próprios bíceps, outros vacilam, encostados nos postes com cara de baiacu em coma ou dentro de seus automóveis, manuseando o canarinho afoito. Crescem o olho pra cima dos demais passantes como se também participassem da conspiração voluptuosa e imunda que passaram o dia a fantasiar. Acreditam que algo extraordinário pode acontecer. Nada lhes parece mais romântico que uma barrela na trilha: mãos no cascalho, joelhos na relva e rabicó em chamas; merda diluindo-se em sangue e suor enquanto a vítima do estupro consentido alivia-se. &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Qualquer gesto involuntário um pouco mais brusco do pedestre incauto será interpretado como resposta afirmativa pelos pervertidos de plantão, como se fosse um código secreto. Em suas cabeças desmioladas, coçar o nariz ou enxugar a testa, por exemplo, equivalem às seguintes palavras de amor e doçura: “vem cá e me prova que você chupa até o caroço”. Qual será o fetiche de copular com estranhos no bosque? Trata-se de bucolismo vampiresco? Será que proporciona frio na barriga correr o risco de atracar-se com soros positivos? É o risco de ser visto que torna essa prática estimulante? Ou será a possibilidade de revisitar Sodoma e Gomorra em pleno parque do Ibirapuera ou Cidade Universitária, se, de repente, todo mundo resolver soltar o frango? &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não entendo mesmo o que se passa. Só sei que, mais de uma vez, tive de reprimir tipos assim durante minhas corridas noturnas. Guarda a piada, imbecil, e engole o sorriso. Tenho estudado o dia todo pra concluir (Deus esteja comigo) o curso de História. Só me sobra tempo pra fazer exercício tarde da noite. Enfim... Você, que insiste em contrariar o que digo, tentando forçar piadas totalmente sem graça a respeito da firmeza da minha predileção sexual, que vá pra puta que o(a) pariu. Não estou com paciência pra isso hoje. Se pudesse me ver, flagraria no meu semblante a mesma expressão de repúdio ameaçador que sou obrigado a vestir quando um desses veadinhos franco-atiradores resolve mirar-me por detrás do famigerado “sorriso mole”. Duas expressões em latim deverão iluminá-lo: &lt;i&gt;mens sana in corpore sano&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;me cagus un caralium&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não tenho absolutamente nada contra o homossexualismo, que fique claro. É de domínio público que o sangue da minha nobre linhagem é um verdadeiro &lt;i&gt;bas fond&lt;/i&gt;, onde os genes femininos pululam como Marias sem vergonha em beira de brejo. Nem sempre há espaço pro Y no código genético dos meus parentes. Aliás, o mais comum é que esta seja a situação:&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;X X X X X X X X y X X X. Porém, quando ele está presente, sai de baixo! O chumbo é grosso, colega! Dizem que meu tetra-tataravô Alfonso Pinheiro de Amorim Cortez, um dos capitães de Santo Amaro no tempo em que o bairro que conhecemos hoje superava em muito a população da provinciana São Paulo de Piratininga, tinha três testículos. Era tão macho, mas tão macho que, quando passeava pela vila, até mesmo o vento dobrava a esquina para não esbarrar nele. Quando a anomalia veio a ser conhecida de todos os respeitados cidadãos santo-amarenses, por meio de um escândalo envolvendo a negra Carmelita, dama de companhia de minha tetra-tataravó Iolanda, assassinada com dois balaços de arcabuz em circunstâncias até hoje obscuras, vovô Fonsinho fingia que não era com ele. Jamais permitiu que tocassem no assunto na sua frente – o português do armazém quase ficou caolho como Camões por conta de um gracejo infeliz –, mas sentia o mais profundo orgulho daquele respeito absoluto que impunha (e também de sua abastada pochete, é óbvio). Afagava-lhe a virilidade na mesma proporção em que me irritam os veadinhos atrevidos adoradores de Pã que povoam os parques à noite. &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="LINE-HEIGHT: normal; FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Alguém que possa oferecer-me explicações, por favor faça-o logo. Na USP, "as mocinhas" costumam aglomerar nas imediações do prédio da Física. Lá há um bosque onde as crianças inocentemente brincam nas manhãs de domingo. Não me surpreenderia nem um pouco se um dia uma menininha, lambuzando-se gulosamente, convidasse a mãe a compartilhar o chup-chup de leite condensado que achou perto do escorregador. &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Essas coisas acontecem. Por isso, essa mania de putaria em parque deve acabar. É indecente, intimidador e imundo – isso soma três I’s: III, como CCC e KKK; por pouco, não corresponde também a SS. Mas deixo o totalitarismo e a violência para os imbecis. Quero mesmo é que se foda.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116287991835734155?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116287991835734155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116287991835734155&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116287991835734155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116287991835734155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/11/tocaia.html' title='tocaia'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116197613133909407</id><published>2006-10-27T16:06:00.000-03:00</published><updated>2006-10-28T15:06:01.550-03:00</updated><title type='text'>cruzada fecal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/fflch.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/fflch.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Trata-se de um estudante comum. Caminha pensativo pela Praça do Relógio, em direção à Faculdade de Economia e Administração. Percebe-se pelo seu semblante grave que muitas e complexas idéias atribulam seu pensamento. Jeans e sandálias de couro, guia por baixo da camiseta branca, além de certa ginga carnavalesca, sugerem prontamente que é estudante de humanidades. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não é, contudo, um típico exemplar da FFLCH. Esse rapaz tem cabelos curtos, a barba feita, roupas novas e limpinhas; em nada se assemelha aos neandertais marxistas ou revolucionários anarco-sindicalistas do Centro Acadêmico. Tem ares esclarecidos, quase revisionistas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com certeza não o veríamos em manifestações contrárias à reforma do “espaço aquário”, por exemplo, o chiqueiro no térreo do prédio da História – que mais parece um grande mictório – onde a vanguarda do movimento estudantil reúne-se para mudar o mundo. Ele é usuário da sala de estudos, afeito aos livros e, portanto, ao isolamento acústico. Sabe muito bem que as passeatas e barricadas da esquerda uspiana, formada majoritariamente pelos egressos das escolas particulares da Zona Oeste, são espaços de sociabilidade. &lt;i&gt;Plain and simply&lt;/i&gt;, festividades onde todos podem encher a cara sem se sentirem culpados, pois o porre é político. O lema da esbórnia é tão vago quanto patético: “igualdade, justiça social, fim do imperialismo, fora FMI e não se esqueça de VOTAR NULO”. Cerveja, R$ 1.50, vinho, R$ 1.00.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O motivo pelo qual dirige-se à FEA fica assim esclarecido. Quem já visitou a FFLCH provavelmente teve a oportunidade de conferir o estado deplorável de seus sanitários. O estádio do Pacaembu possui dependências mais dignas. Alguns corredores da História lembram as primeiras linhas do célebre Manifesto Comunista, que diz, “um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo”. Fantasmas que fedem a fossa assombram-nos, levantando a suspeita de que a FUVEST deveria aplicar exames psicotécnicos junto com o vestibular. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Geralmente, uma das primeiras coisas que as pessoas aprendem no colégio são as regras básicas da convivência social e da higiene pessoal. Há um cartaz nas escolas primárias canadenses que diz, “&lt;i&gt;All I really need to know I learned in Kindergarten&lt;/i&gt;”. Tudo indica que os universitários de humanidades queimaram etapas na pré-escola; não foram introduzidos à civilização. Tudo mesmo. Um passeio rápido pelos reservados da FFLCH revela mijo nas lixeiras, merda esfolada no vaso, cuspe nos cantos, catotas de nariz abandonadas nas paredes como marcas de pneu no asfalto e toda a sorte de obscenidades e racismos rabiscados com caneta BIC. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fazendo jus à máxima de Walter Benjamim, “nunca houve um monumento da civilização que não fosse também um monumento da barbárie”, a USP, fina flor das instituições de ensino superior, esconde em suas dependências – ou melhor, esfrega na cara e, principalmente, no nariz de seu pessoal – o mais mórbido esgoto: a absoluta falta de educação. Não, nosso herói, que cultiva alma lírica e sensibilidade árcade, jamais conseguiria atingir a plenitude celestial da evacuação em ambiente tão sórdido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Curioso é o copo plástico vazio que leva consigo. Vai batucando nele enquanto reflete sobre a intimidade e sobre a desastrosa realidade sanitária da FFLCH. Há intimidades moralmente obscenas e intimidades fisicamente imundas – qual será pior? Não chega a formular conclusões. No mesmo instante em que sente fisgar seu intestino delgado, muda de expressão e aperta o passo. O tempo urge, a tripa ruge. Olha com carinho para o copo. Em breve, será seu melhor amigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ao ingressar no prédio da FEA, o bafo frio do ar condicionado refresca-lhe a pressa. Sobe a rampa central e adentra o banheiro masculino. Um eldorado de Pinho Sol descortina-se à sua frente. Ladrilhos impecáveis, sabonete líquido à base de aloe vera (o nome &lt;i&gt;raffiné&lt;/i&gt; da tupiniquim babosa), mictórios cuja descarga é acionada pressionando-se pedais no chão, silêncio asséptico. Só falta música ambiente. Mais precisamente, a sonata n. 2 para piano e violoncelo do Rachmaninov. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sua primeira medida é encher o copinho plástico de água. Depois, apanha um protetor de assento de papel. Tranca-se no reservado central, melhor iluminado. Faz o que tem que ser feito em grande estilo, quase se sentindo em casa. Considera-se o magnata dos infortunados, o marajá do Coco; vivesse no tempo de D. Pedro II, seria o Marquês de Piriri. Pleno, pensa que evacuar deve proporcionar idêntica sensação a visitar o Olimpo. Afrodite, Atena, Hera, Hebe, Ismênia... Um raio de fúria sexual incendeia sua imaginação. O impulso logo morre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bukowski dizia que obrar é como escrever poemas, processo em quatro etapas. Primeiro, o poeta enfrenta o incômodo físico da idéia. Conceito sem forma, prenúncio de poema, ela tem necessidade imediata de vencer o plano ideal e ganhar o papel. Segundo, ele deve empenhar-se em realiza-la, trabalhando duro, suando a camisa, forçando conceitos líquidos a adaptarem-se aos duros moldes da métrica e da rima. Terceiro, desfruta o prazer de contemplar sua obra pronta – troféu glorioso, porém descartável. Quarto, desfaz-se do poema como se nunca o houvesse pertencido, acionando a descarga e entregando-o ao leitor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText"  style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Terminado o serviço, o copo revela sua utilidade essencial. Só as práticas íntimas revelam se os indivíduos possuem ou não firmeza de caráter. Nosso herói, adepto xiita da limpeza e, portanto, do bidê e do chuveirinho, encharca tiras de papel higiênico, esse triste utensílio imortalizado pela classe média, antes de dar-lhes funcionalidade. Mata, assim, dois coelhos com uma única cajadada: otimiza a eficiência precária do papel e previne o aparecimento precoce da “teimosinha”, leia-se hemorróidas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-family: arial;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Completa-se assim a cruzada fecal. O rapaz observa, com orgulho, as dimensões continentais daquele pedaço de si que generosamente doou à FEA. Presente de socialista esclarecido para capitalista alienado, tem certeza de que outro fefechelento esqueceria de dar descarga de propósito. Consideraria esse lapso uma espécie de manifesto político. Pobre porcalhão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: arial;font-family:arial;font-size:100%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116197613133909407?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116197613133909407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116197613133909407&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116197613133909407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116197613133909407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/10/cruzada-fecal.html' title='cruzada fecal'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116123423414294860</id><published>2006-10-19T01:59:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T02:16:50.810-03:00</updated><title type='text'>coprofilia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/squat-toilet.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/squat-toilet.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;b&gt;12/10/06 &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(apontamentos do meu diário)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;i&gt;Não pode a nossa reles humanidade sonhar com ato mais sublime que ir de corpo. Sentado ao trono, todo servo é rei; obrando, o soberano despe-se de toda sua realeza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Marquês de Sade&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;Meu aparelho digestivo funciona de maneira impecável, conduzindo-me ao trono duas vezes ao dia. Os horários em que se manifesta são por volta das três horas da tarde e das nove horas da noite. Há aí uma lógica bastante simples: refeição – peristaltismo – urgência. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;Nunca padeci de prisão de ventre. Deve doer. E causa câncer anal. O pai de um colega meu do Ritz teve isso. Morreu em lenta agonia. Além da quimioterapia, submeteu-se a mais terrível cirurgia que pode existir. O seu intestino grosso estava inteirinho tomado pelo “caranguejo”. Os médicos tiveram que lhe extrair o órgão e também o cu. Instalaram uma sonda no lugar, e ele passou a viver preso a sacos plásticos que espontaneamente se enchiam da sua própria merda e tinham de ser trocados três vezes ao dia. Dormia, acordava, banhava-se, almoçava, lia poesia, comia a esposa, tudo acompanhado do aparelho fétido, carinhosamente batizado de “mulatinho”. O velho não perdeu o rebolado com a desgraça. Pelo contrário, brincava que de hemorróidas jamais sofreria de novo. Quando os netos vinham almoçar e anarquizavam a casa, bradava, “caralho, se não pararem com a baderna, vai voar bosta na cabeça de vocês!”. A molecada caía na gargalhada sob os olhares de reprovação dos pais. A doença era apenas um motivo a mais para rir da frágil biologia humana. Mas a alegria durou pouco. O quadro clínico do velho degringolou de repente. No leito de morte, ainda encontrou fôlego para o derradeiro chiste. Anunciou que desejava ser canonizado, pois partia dessa para a melhor praticamente transformado em anjo. “Se é verdade que os mensageiros do Senhor não têm sexo, então é porque também não têm genitália – não cagam nem peidam. A mim, só me faltam asas!”, sentenciou com dificuldade e apagou. Um odor fúnebre dominou o quarto. A família lamentou profundamente o falecimento. Finda a choradeira, o enfermeiro da noite desatarraxou o “mulatinho”. E o velho foi esquecido no dia seguinte à missa de trigésimo dia. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;b&gt;ENFEZADO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="sq"&gt;■&lt;/span&gt; adjetivo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1&lt;/b&gt;    tomado de raiva, aborrecimento ou birra; irritado&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2&lt;/b&gt;    de gênio temperamental, irascível&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3&lt;/b&gt;    que não se desenvolveu; raquítico&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4&lt;/b&gt;    de dimensões reduzidas; pequeno, acanhado&lt;br /&gt;&lt;b&gt;5&lt;/b&gt;    Regionalismo: Brasil.&lt;br /&gt; que empacou (diz-se de animal)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;O verbete “enfezado” designa o estado de espírito característico de quem tem prisão de ventre. Literalmente: vísceras abarrotadas de fezes. Daí, o mau humor crônico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;Nas horas em que o dever fisiológico impele-me ao reservado, geralmente estou na USP resolvendo as “pendências acadêmicas” que me fazem refém do terceiro grau há quase seis anos. Isso é realmente constrangedor. Mas esse &lt;i&gt;causo&lt;/i&gt;, contarei semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;Esse utensílio sanitário aí em cima leva o divertido nome de SQUAT TOILET.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: normal; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116123423414294860?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116123423414294860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116123423414294860&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116123423414294860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116123423414294860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/10/coprofilia.html' title='coprofilia'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-116024380829601126</id><published>2006-10-07T14:54:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T15:04:37.460-03:00</updated><title type='text'>desbunde à la conga</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/20060810-gretchen.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/20060810-gretchen.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos anos 1980, ela atingiu o auge de sua carreira como cantora com os &lt;i&gt;hits&lt;/i&gt; "Freak Le Boom Boom", "Conga Conga Conga" e "Melô do Piripiri". Hoje, aos 47, Gretchen tornou-se atriz, estrela do longa-metragem &lt;i&gt;La Conga Sex&lt;/i&gt;, que deverá ser lançado em novembro. O filme, produzido pela Brasileirinhas, promete picantes cenas de sexo explícito.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mal posso esperar. Gretchen, como Pelé, é praticamente uma logomarca da cultura de massas brasileira. Um mito. Só que no caso dela, também um mito político. Gretchen foi a criadora da mais sublime forma de protesto político, que, através do fio dental, contestou a tradição e todos os costumes reacionários da moral autoritária. Na Alemanha de Karl Marx, falava-se em &lt;i&gt;vanguarda revolucionária&lt;/i&gt;; no Brasil da Mãe Joana, falamos em &lt;i&gt;retaguarda incendiária&lt;/i&gt;. Gretchen, no campo da cultura popular, encabeçou o movimento de abertura pós-regime militar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A década de 1980 foi tempo memorável: além de Gretchen, havia Xuxa, Menudos, Titãs, Paralamas, Trapalhões, jogo do bicho, José Sarney e vários outros carnavais. Uma das maneiras que o país encontrou de exorcizar a censura imposta por tantos anos pela ditadura foi o &lt;i&gt;desbunde&lt;/i&gt;. Esta curiosa expressão, que a língua lusitana incorporou do quimbundo, é usada aqui e em Angola para designar estados profundos de êxtase e/ou deslumbramento. De fato, nada foi mais arrebatador &lt;b&gt;e subversivo&lt;/b&gt; do que ver a Gretchen sacudir a poupança em rede nacional. Sem sombra de dúvida, ela foi a rainha do desbunde.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Infelizmente, a lógica do capitalismo dá vida curta às manifestações autênticas de cultura. Atentos aos lucros fáceis que a nudez feminina poderia proporcionar a curto e longo prazo numa nação afeita ao futebol, à cerveja e às estripulias eróticas, empresários e produtores trataram de apossar-se do desbunde, esvaziando-o de seu conteúdo explicitamente político. Assim, o que antes era uma modalidade tropical&amp;radical de protesto transformou-se no lugar comum das tardes de domingo e noites de todos os outros dias da semana. As loiras e morenas do axé nada mais são que subprodutos da cultura revolucionária dos anos 1980; distorções grosseiras – ainda que deliciosamente carnudas – da esquerda brasileira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Há um quê de nostalgia infantil nessa nova superprodução cinematográfica, &lt;i&gt;La Conga Sex.&lt;/i&gt; Lembro de cada uma das canções da Gretchen; até hoje elas animam as pistas de dança e embalam a loucura da minha precoce geração, nascida entre 1978 e 1983. Porém, sinto também que “ímpetos políticos” motivam-me a adquirir o filme, quase como se assistir a ele fosse o dever cívico de participar de uma passeata ou manifestação - a mais promíscua manifestação de todos os tempos. Falem a verdade: quem é que não vai até a banca comprar o DVD ou baixa-lo pela internet?  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-116024380829601126?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/116024380829601126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=116024380829601126&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116024380829601126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/116024380829601126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/10/desbunde-la-conga_07.html' title='desbunde à la conga'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-115942527223974836</id><published>2006-09-28T03:29:00.001-03:00</published><updated>2006-10-01T21:47:21.136-03:00</updated><title type='text'>terceiro molar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/Dente.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/200/Dente.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Diz a ciência que os seres humanos evoluidos nascem sem os terceiros molares, pois, segundo a teoria darwinista, eles já não têm mais função. Diz a sabedoria popular, refutando esta tese, que os terceiros molares anunciam a chegada da maturidade; por isso, são chamados de dentes do siso (siso, com s, significa juízo). Disse o Dr. Paulo Tony quando ergueu contra a luz a radiografia panorâmica da minha boca na manhã de terça-feira da semana passada, “Bunda, vou te contar... Deus foi ingrato mesmo. Ainda bem que este é o último”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma das características que mais prezo nas pessoas é o senso de humor. O sarcasmo descontraído e inoportuno do Dr. Paulo Tony foi encorajador. Minha última experiência odontológica, cinco anos antes, havia sido, digamos... catastrófica. Sentei-me na cadeira da Dra. Loren, uma moça sorridente e amável cuja especialidade, por incrível que pareça, era atender crianças, às 9 da manhã e levantei da cama do hospital Albert Einstein às 6 da tarde do dia seguinte. Numa frustrada tentativa de remover meu siso direito inferior, cuja raiz estava praticamente colada ao osso da mandíbula, perfurou-me uma artéria, provocando um sangramento torrencial e incontrolável. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Minhas recordações desse dia são pontuais porque fiz questão de tentar apagar o episódio do meu disco rígido. Lembro de sair voando do consultório com a boca entulhada de gaze; o elevador custou a chegar e minha mãe se irritou, gritando um palavrão que nunca mais a ouvi pronunciar. Lembro da expressão assustada do médico do Pronto Socorro quando ele removeu a bandagem e o sangue esguichou, grosso, escuro e quente, encharcando minha camiseta branca. Lembro das luzes frias no teto de um corredor extenso se sobrepondo umas às outras com pressa e o ruído de rodas de borracha contra a impressão de um chão liso, que provavelmente acabara de ser lavado. Lembro do instante imediatamente anterior à morte temporária induzida pela anestesia: tubos, máscaras e holofotes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;À infame piada do Dr. Paulo Tony, só pude reagir com desprezo. Mal sabia ele o trabalho pesado que o aguardava. Quem ri por último, ri melhor, pensei com meus botões. Se a coisa era feia na radiografia, ficou horrenda feita a primeira incisão. O Dr. Paulo Tony pagou a língua e suou a camisa, literalmente, pra consertar aquilo que inconseqüentemente classificou de transviado milagre da Providência. Vencida a primeira tarefa de encontrar o dente e entender exatamente de que maneira acrobática ele havia sido enterrado na minha gengiva pelos brejeiros dedos de Deus, o incauto dentista levou ainda mais uma hora e meia para forjar uma passagem por onde o molar pudesse ser retirado e outros vinte minutos extraindo-o. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como sempre, livrar-me do meu juízo correspondeu a um processo turbulento e vagaroso. Enquanto trabalhava, o Dr. Paulo Tony tentou puxar conversa, discorrendo sobre futebol e um livro de História da Inquisição que havia lido recentemente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(É bem capaz que seu fascínio pela arte da tortura o tenha levado a escolher a carreira de dentista...) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas não lhe dei trela por dois motivos: 1. com uma broca, um aspirador e cinco dedos na boca é impossível falar; 2. estava intrigado com esse pensamento: quando extraímos os sisos, é como se alguém trocasse pneus dentro da nossa cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enfim, depois de horas de martírio e tensão, a operação acabou e fui despachado para casa com sete pontos na boca pelo vitorioso e exausto Dr. Paulo Tony. Passei a semana à base de sorvete, sopa fria, analgésicos e antibióticos. Minha bochecha inchou como um balão. Fiquei parecendo o homem elefante. A dor fulminou meu bom humor, consumiu minhas energias. Sentindo-me um autêntico bunda, resolvi retomar o Buraco. Vamos ver até quando dura o ímpeto...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-115942527223974836?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/115942527223974836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=115942527223974836&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115942527223974836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115942527223974836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/09/terceiro-molar.html' title='terceiro molar'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-115570505632824713</id><published>2006-08-16T02:03:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T02:10:56.366-03:00</updated><title type='text'>frits no azeits</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/frits.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/frits.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoBodyText" style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Dizia a todo mundo que ela tinha olhos glaciais, como icebergs, e que tais olhos, impossíveis, inimagináveis, haviam vislumbrado tantas dimensões quanto a imaginação turbinada pelas drogas lisérgicas é capaz de produzir. Suas retinas eram círculos de um negrume sólido e contorno preciso, imersas no mar morno do Caribe. A íris, anil como o gelo ártico ou o céu nos trópicos quando o inverno chega e as nuvens rareiam. Icebergs, água marinha, éter... &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Descrever coisas demasiadamente belas requer poesia séria – requintes de sutileza, sofisticação intelectual e horas de compenetração para atingir a síntese formal de idéias de potencial inesgotável –, algo que a sua personalidade, alguns meses depois, para a minha infelicidade, revelou-se indigna de merecer. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por incrível que pareça, a tristeza que envolveu a descoberta de que a número 4 não valia a pena (literalmente, no caso) não teve nada a ver com as perversões da personalidade, tão comuns entre os bípedes. Não foi o irresistível impulso de trair o parceiro e atrair terceiros (peço perdão pelo uso da função poética, empregada aqui com pobreza e em momento inoportuno), o qual, cedo ou tarde, assola qualquer relacionamento, que me impeliu a desistir dela. Tal intenção seria impossível de mascarar sob a cristalina superfície daqueles hipnóticos olhos de vidro; a mágoa é o revés da surpresa. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Não possuo título em psicologia nem sou afeiçoado aos assuntos da medicina, mas posso afirmar com segurança – qualquer um poderia faze-lo, inclusive, já que todos possuímos certos conhecimentos inatos sobre a &lt;i&gt;mecânica&lt;/i&gt; do mundo e do comportamento humano – que a número 4 tinha, senão um, dois ou três parafusos a menos. Uma patologia adquirida por anos de dedicação ao consumo desenfreado de substâncias tóxicas, ilícitas e divertidíssimas e, é claro, toda uma complexa conjuntura de antecedentes: instabilidade familiar e predisposição psicológica (na verdade, quase uma necessidade fisiológica) para a insanidade. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Entre as muitas histórias cabeludas que me contou, disse que morou em Londres durante alguns anos, trabalhando como modelo e namorando um DJ que, além de amor, fornecia-lhe toda a sorte de narcóticos, leves e pesados. Foram anos confusos aqueles, relatou, em que os dias fundiam-se uns nos outros como as cartas de um baralho mágico. Nos dias bons, olhava-se no espelho e o reflexo revelava uma frágil boneca de louça branca cujas olheiras eram as sombras de um velho salgueiro. Nos dias ruins, era incapaz de encontrar forças para sair da cama. No pior dos dias, entrou em coma e quase morreu de overdose. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Coisas assim são pesarosas de ouvir, mas divertidas de contar. Não tardou muito e a número 4 recebeu diversos apelidos politicamente incorretos dos meus companheiros de bar, como &lt;i&gt;lóque&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;frits no azeits&lt;/i&gt; – este último, em homenagem ao Mussum, o saudoso Trapalhão alcoólatra. O conselho que não cansava de ouvir: administrar a loucura dos outros é trabalho pra enfermeiro de manicômio... &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;E não é que eles me convenceram?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-115570505632824713?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/115570505632824713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=115570505632824713&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115570505632824713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115570505632824713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/08/frits-no-azeits.html' title='frits no azeits'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-115258896042882307</id><published>2006-07-11T00:33:00.000-03:00</published><updated>2006-07-11T01:12:11.076-03:00</updated><title type='text'>modernidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A modernidade está em ruínas desde o século XVI. Camões produziu numerosos versos sobre o desconcerto do mundo. Também Shakespeare, através de Hamlet, refletiu sobre decadência do seu tempo e sobre o prodigioso comportamento humano, capaz de camuflar a essência dos gestos em aparência distinta, furta-cor. Assim como o príncipe da Dinamarca, o Dom Quixote de Cervantes também padecia da deficiência visual típica dos modernos: atestava a lucidez das suas ações não a realidade objetiva, mas a lógica impecável, ainda que completamente absurda, por trás delas. A Renascença descobriu o indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lá pra cá, as coisas mudaram um bocado. Mas o mundo continua de ponta cabeça; só que piorado. Depois que a humanidade inventou a cultura de massas, a filosofia virou motivo de pilhéria. Ao invés das “grandes obras”, o que estimula nossas reflexões existenciais hoje são os livros de auto-ajuda e a imprensa marrom. O campeão de vendas das livrarias brasileiras do último mês: “Quem mexeu no meu queijo”, de autoria de um PhD cujo nome, como os medicamentos genéricos, tanto faz. A capa da revista semanal de atualidades de maior circulação dessa semana: “Como se tornar um grande líder”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cristalino como a água que os capitalistas do século XXI estão cada vez mais produtivos e profissionalmente eficazes na mesma proporção em que se assemelham cada vez menos a seres humanos. A nobre invenção dos modernos renascentistas, o indivíduo, evoluiu apenas para revelar que livre arbítrio é o nome poético para a má índole em atividade. O egoísmo é hoje tecnologia de ponta; já as conversas amistosas e o tato nas relações pessoais viraram história. Por isso, os manuais de etiqueta atuais não versam sobre bons modos – tentam educar o espírito neolítico do homem contemporâneo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;br /&gt;Quatro anos de ensino superior servem para ensinar jovens a ganhar dinheiro e também para esmagar os sonhos coletivos. A estupidez está estampada nas bancas e livrarias e vende aos borbotões. Mas os psicólogos norte-americanos e os jornalistas, intelectuais de grande monta, zelam pelo futuro do mundo. Graças a Deus, há sempre um bunda de plantão para cagar a regra de como as coisas devem ou não ser. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-115258896042882307?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/115258896042882307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=115258896042882307&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115258896042882307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115258896042882307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/07/modernidade.html' title='modernidade'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-115198807186277054</id><published>2006-07-04T01:34:00.000-03:00</published><updated>2006-07-04T01:41:11.880-03:00</updated><title type='text'>tarde de primavera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Todo bundão é individualista por natureza. &lt;em&gt;Individualista&lt;/em&gt; – por motivos de economia verbal, usa esse termo no lugar da expressão “o chato que chora quando são contrariadas as suas vontades” para explicar a si mesmo a sua incapacidade insuperável de se relacionar. A consciência só se arrisca no terreno da auto-análise naqueles trágicos intervalos do dia-a-dia em que a depressão torna-se a heróica saída para a mediocridade. O bundão não só é desprezível como tem pena de si mesmo. Durante a infância é mimado, durante a adolescência é niilista – e, não raro, apresenta tendências suicidas –, quando adulto, sua boca dispara críticas contundentes – bem fundamentadas até – contra tudo e todos, enquanto seu espírito amarga estar sempre aquém do Éden prometido pela sua pretensiosa e mirabolante fantasia e, finalmente, na velhice, revela-se homem ranzinza e dono da verdade.&lt;br /&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aos 76 anos de idade, num apartamento opaco do Real Parque – o único bem que lhe restou das dívidas acumuladas no banco – o bundão falece sozinho no seu quarto de dormir em plena tarde de primavera. Seu corpo só é descoberto três dias depois do óbito, quando já começa a exalar o espesso perfume da morte. A causa? “Derrame cerebral, ataque cardíaco, velhice, desgosto”, comentam os vizinhos indiferentes, mas morbidamente curiosos. “Até que ele era simpático quando chovia...” Mas no velório comparecem somente os parentes mais próximos e aquele único amigo diplomata cuja homossexualidade a vida inteira cegou-o para o fato de que o bundão nunca passou de um bundão que nunca amou ninguém além de si próprio.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outra característica muito comum ao bundão é a teimosia. Mete-se a praticar atividades coletivas somente para estragar a festa de todo mundo. Quantos jogos de futebol, por exemplo, não foram suspensos repentinamente porque o dono da bola, bundão da primeira divisão, irritou-se com um lance polêmico e decidiu – por todo o time e pelo adversário – que o campeonato não valia mais a pena? O videogame do bundão é sempre o mais moderno do condomínio porque é também o seu melhor amigo; não existem coincidências fabricadas pelo acaso.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O bundão cresce, mas não amadurece. E a mania de contrariar as evidências da natureza, essa virtude típica dos anti-heróis que se chama teimosia, persiste. Chega um tempo em que descobre que sua verdadeira vocação é a arte. De todas as modalidades já inventadas, escolhe justamente a mais antiga e fora de moda: o teatro, irremediavelmente coletivo e pouco prestigiado nas plagas brasileiras. O bundão é afeito a encrenca... Além de lidar diariamente, nos ensaios, com um problema, a sociabilidade, que é na verdade uma miríade de problemas, os outros, a recompensa de se ver nacionalmente reconhecido pelo público e pela crítica nunca passará de mera ilusão. Paradoxal e polêmico, não sabe ouvir ao mesmo tempo em que tem a constante impressão de que a sua opinião é sempre a mais original e valiosa. Os outros atores que se rachem! Certa vez, um grande gênio do &lt;em&gt;metier&lt;/em&gt; confidenciou-lhe que a gente é feita para brilhar, como as estrelas. “O&lt;em&gt; spotlight&lt;/em&gt; só pode iluminar o talento de um único artista”, confirmou o bundão embevecido de vaidade e ambição, louco para brilhar. Seu projeto de vida é ser Deus na Terra – alimenta a silenciosa expectativa de que a fama vai redima-lo da solidão. Não precisa de parceiros, só de competidores. Importa menos o percurso que chegar em primeiro. O bundão não possui o dom primário da brincadeira em grupo, mas, teimoso, insiste. Sem o saber, alimenta o desprezo alheio e encaminha-se para aquele suicídio moroso que culmina com a breve nota no jornal de domingo:&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;André Souza Machado Cortez, aos 76 anos. Deixa irmã e sobrinhos. Não deixa saudade.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-115198807186277054?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/115198807186277054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=115198807186277054&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115198807186277054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115198807186277054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/07/tarde-de-primavera.html' title='tarde de primavera'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-115014964191145948</id><published>2006-06-12T18:59:00.000-03:00</published><updated>2006-06-12T19:03:34.423-03:00</updated><title type='text'>sala de espera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quem espera sempre alcança, diz o ditado.&lt;br /&gt;A espera é feita de expectativa e decepções.&lt;br /&gt;A espera fortalece o espírito.&lt;br /&gt;A espera torna a realização dos sonhos merecimento.&lt;br /&gt;A espera reduz os gloriosos delírios a pequenos devaneios.&lt;br /&gt;A espera é a prova irrefutável de que as probabilidades são apenas as possibilidades.&lt;br /&gt;A espera acredita que não existe frustração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lista dessas bem que poderia ser encontrada numa fotocopiadora, impressa sobre papel celeste timbrado com anjos e nuvens. Em dias de ânimo normal, serviria apenas como alvo de escárnio e depois para limpar o rabo. Hoje, porém, o moral deste soldado está como a represa Guarapiranga: abaixo do limite mínimo. A poética lista de máximas, como os versos mais melancólicos e homossexuais do Bandeira, chega até a provocar lágrimas. Nada é mais patético que um Bunda na sala de espera da vida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-115014964191145948?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/115014964191145948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=115014964191145948&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115014964191145948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/115014964191145948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/06/sala-de-espera.html' title='sala de espera'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114948999189965270</id><published>2006-06-05T03:45:00.000-03:00</published><updated>2006-06-05T04:12:49.943-03:00</updated><title type='text'>2o movimento da 7a sinfonia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aquela mesma cena talvez se repetisse em um milhão de apartamentos durante a madrugada, mas em nenhum deles adquiria sofisticação semelhante. Era impossível ser seletivo na hora de escolher que clipe de vídeo baixar. A infinidade de opções e o colorido dos nomes o obrigavam a clicar em todos os arquivos disponíveis, sem discriminação. Analisava-os conforme eram descarregados no seu computador, antes mesmo de completadas as transferências. Aqueles que não satisfaziam o seu paladar eram prontamente descartados. Era a única maneira de ser criterioso. Não queria entupir a máquina com arquivos mortos, de gosto duvidoso. Excentricidade não é indiscriminação. Tinha preferência pelas morenas de pele clara. Não gostava de cenas explícitas demais, os closes de açougue. Era fundamental que o rosto da mulher aparecesse na tela e ela demonstrasse necessidade sincera e visceral do sexo excessivo que recebia em pancadas. A mecânica da cópula ele entendia bem. Estudava-a com afinco na imaginação e na vida real, aplicando as fantasias adquiridas pela internet e as surgidas espontaneamente nas namoradas que passavam pela sua vida como a água nos córregos. O que lhe parecia mais raro de acontecer eram a sincronia e sintonia de olhares que tornam as palavras necessárias em medida justa, essencial e econômica. Para tanto a cor da pele deveria ser branca e a aureola dos seios, assim como a carne entre as pernas, rosa, quase escarlate. Pelos bem aparados e bicos como botões completavam o quadro ideal. Na tela do computador, essas mulheres não tinham cheiro, mas na sua cabeça assumiam vapores íntimos e inexplicáveis. Descrever odores é tarefa inefável. São como o vinho e só podem ser conhecidos na íntegra se apreendidos pelos sentidos. A razão não serve ao prazer de se deixar levar pela ebulição do sangue. A razão, inclusive, era justamente a faculdade que perdia por completo durante o ritual de varar a noite diante da tela em busca da mulher perfeita. Aquela que julgava digna do seu esperma provavelmente contentaria qualquer outro dos novecentos e noventa e nove mil insones que como ele se masturbavam com a freqüência e a intensidade da compulsão. O que tornava o seu ritual incomum era a trilha sonora. Além do rigor visual, havia o auditivo. O segundo movimento da sétima sinfonia do Beethoven lhe servia de Éden. A sensação de se deitar nas nuvens ou arder no sétimo círculo do inferno. Não saberia explicar – outra descrição inconcebível. Certos conhecimentos da vida são reminiscências. A memória não sabe trabalhar senão pela analogia. Uma vez encontrado o par daquela noite, acionava o media player e inseria os fones do discman no ouvido. De início, o ritmo da cena explícita que engolia os seus olhos não combinava com a melodia. Sua imaginação, no entanto, era pródiga, capaz de ajustar a mais depravada orgia ao imprevisível - porém delicado - (des)concerto da sua fantasia. A mesma cópula era reproduzida mais de três, quatro, cinco vezes; também a sinfonia. O looping se assemelhava às preliminares. Não se considerava pronto para evacuar sua genialidade – esse era outro dado importante: naquele momento, a criatividade tornava suas noites brancas e lhe afligia a alma porque não sabia como exorciza-la a não ser pela pornografia – enquanto seu membro não estivesse devidamente túrgido. Admirava-o como instrumento de poder, inflamado e rijo, veias saltando debaixo da pele como se a qualquer momento pudessem estourar. O calibre do pênis é mais impressionante que o comprimento. O arco que ele descreve lhe atribui caráter. Seu cetro dobrava para baixo e apontava a terra. Achava curioso como a glande aumentava ainda mais de proporção quando constringia o sangramento. Ficava da mesma cor do seu temperamento. Exercitava aquele músculo como se esculpisse algo inédito, como Deus criou o homem a partir do barro, e só ao cabo de quarenta minutos expelia o seu ovo. Aquele pedaço de papel higiênico poderia muito bem ser os lençóis de uma cama king size em Las Vegas. A sofisticação da fantasia tinha um pé no cúmulo do cafona. A capital mundial do jogo lhe parecia a terra natal de todas as musas da madrugada. Tinha a impressão de que eram mais complacentes às suas manias quando se sentiam em casa. De fato, deitavam, rolavam e ficavam de quatro, dizendo atrocidades em inglês. O nome de Deus era, repetidas vezes, pronunciado em vão e até mesmo maldito. Adorava a boca suja das mulheres que elegia, principalmente quando se lambuzavam das sobras dele. O líquido branco jorrava para além do vidro que o circunscrevia à realidade e por todos os lados. O ritual acabava abruptamente. A incontinência do orgasmo na boca delas, sobre o papel e sobre as suas coxas. Uma gota sempre manchava as calças que haviam acabado de voltar da lavanderia. O pingo de vergonha que denunciava a pobreza de espírito daquele gesto. Revelava a preguiça de não terminar a cena da peça, o conto, o roteiro do curta-metragem ou mesmo o trabalho da faculdade. Era difícil de a remover. Só mesmo esfregando com água morna. Ou então delegando a tarefa para a diarista. As empregadas domésticas conhecem todos os segredos sórdidos da classe média. Têm o poder de destruir casamentos e famílias, mas foram educadas para obedecer. A diarista devia saber que ele fazia parte do seleto grupo dos maiores masturbadores da cidade. Devia saber muitas outras coisas. O que ninguém sabia era que ele alimentava a pornografia ao som do segundo movimento da sétima sinfonia.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114948999189965270?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114948999189965270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114948999189965270&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114948999189965270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114948999189965270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/06/2o-movimento-da-7a-sinfonia.html' title='2o movimento da 7a sinfonia'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114835961704581420</id><published>2006-05-23T01:26:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T01:52:26.130-03:00</updated><title type='text'>Susy, gorducha infeliz</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/fat.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/fat.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/fat.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há determinada espécie de gorda que frequenta a academia exclusivamente para poder comer sem culpa. Emagrecer é objetivo secundário. Só o que não pode pesar é a consciência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Segunda-feira à noite no Fran´s Café... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A gorducha Susy sai da academia direto para o folhado de palmito com catupiry. Ela considera o folhado o mais delicioso dos quitutes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Senta-se animada para devorar e falar mal do professor de aeróbica, que não sabia o significado da palavra "esdrúxulo". Faz questão de sentar no sofá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Dali a alguns minutos, a garçonete chega com o tão sonhado folhado. Susy come com avidez e desconta o desejo de torta holandesa nas amigas, discorrendo mais um pouco sobre a ignorância alheia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;As amigas ouvem. Acham o sarcasmo da gorda Susy engraçadíssimo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Na hora de pedir a conta, Susy ergue delicadamente a mão direita e espreme um "psiu" por entre os lábios carnudos e rosados. A garçonete está ocupada com outra mesa. Mas na cabeça da gorducha isso significa indiferença. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Susy não pensa duas vezes. "Queridinha", esbraveja para conquistar a atenção da serviçal, num gesto entre polido e próprio da sua natureza suína.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;As amigas acham bárbaro o carisma de Susy - a garçonete vem na hora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114835961704581420?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114835961704581420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114835961704581420&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114835961704581420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114835961704581420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/05/susy-gorducha-infeliz.html' title='Susy, gorducha infeliz'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114712480627907840</id><published>2006-05-08T18:28:00.000-03:00</published><updated>2006-05-08T18:48:25.560-03:00</updated><title type='text'>asco de mãos úmidas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/piss.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/piss.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pode ser uma manifestação de bixice, mas tenho quase certeza que não. Outro dia, saí para tomar cerveja com a V, minha amiga arquiteta que detesta caninos e felinos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estávamos conversando sobre as desventuras da vida com muito bom humor quando, de repente, fomos interrompidos por um conhecido meu. Ele estendeu a mão para me cumprimentar e sorriu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não lembrava o nome do sujeito por nada no mundo. Para camuflar a minha ignorância, fui duas vezes mais simpático que ele. Levantei da cadeira, abracei-o e arrisquei até perguntar a quantas andava a Pontifícia, iluminado por um lampejo etílico de lucidez. Lembrei que o rapaz era amigo das minhas amigas psicólogas e, portanto, devia cursar a mesma faculdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No entanto, mais importante que minhas perguntas certeiras, foi o meu gesto caloroso de segurar sua mão com força e não a largar. Esse foi o ápice do cerimonial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O problema é que a minha mesa ficava próxima do banheiro e o conhecido saía de lá quando tropeçou em mim. Assim que ele se despediu, percebi que minha mão estava úmida do contato com a mão dele. Imediatamente, fui invadido por um sentimento de repugnância profunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Refleti sobre isso hoje e penso que parece bixice. Mas ainda não considero a reflexão concluída. Alguém tem uma opinião a respeito?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114712480627907840?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114712480627907840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114712480627907840&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114712480627907840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114712480627907840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/05/asco-de-mos-midas.html' title='asco de mãos úmidas'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114616136001308723</id><published>2006-04-27T14:54:00.000-03:00</published><updated>2006-04-27T15:09:20.043-03:00</updated><title type='text'>Altiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Todos aqueles que detestam os cães são por eles perseguidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A irmã de uma amiga minha cria uma vira-latas em casa cujo nome é Altiva. Apesar de ser extremamente educada, a cadela passa o dia todo trancafiada na área de serviço. Minha amiga, que é arquiteta e preza ambientes &lt;em&gt;clean&lt;/em&gt;, não a suporta. Tem nojo dos seu olhar canino, do seu hálito canino e do seu cheiro canino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Um belo dia, chegou em casa depois da aula de natação, entrou no seu quarto e foi surpreendida por uma lofa indigna. Acendeu a luz e pesquisou a origem do mau cheiro. Vinha da maquete que recentemente havia montado para a apresentação do seu TCC na faculdade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não deu outra: a Altiva altivamente lhe cagou a maquete. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114616136001308723?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114616136001308723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114616136001308723&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114616136001308723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114616136001308723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/04/altiva.html' title='Altiva'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114434145104877740</id><published>2006-04-06T13:28:00.001-03:00</published><updated>2006-04-06T14:50:11.736-03:00</updated><title type='text'>Amaury</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/mauricio.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/mauricio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando ele chega ao bar, a trilha sonora é a mesma do programa de seu mestre homônimo, “keep it comin, love, keep it comin, love; don´t stop it now, don´t stop it now”...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre por dentro dos babados e das baladas, Amaury é o gazetinha dos eventos sociais. Gosta de ser o centro das atenções e faz de tudo para conquistar a simpatia dos boêmios presentes. Mas sempre em grande estilo, é claro. Amaury descende de uma nobre família de imigrantes italianos do Bixiga, aquela gente cujo português foi espirituosamente esculhambado pelo grande Adoniran Barbosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por motivos de discrição, ao invés de se assumir &lt;em&gt;carcamano&lt;/em&gt;, prefere dizer que é &lt;em&gt;mediterrâneo&lt;/em&gt;, pois, além de soar mais elegante, ele, de fato, possui cidadania européia. Autêntico aristocrata, veste-se como lorde inglês, fala como intelectual, porta-se como embaixador e ri como dândi. O cerimonial do Itamaraty que se prepare: em agosto ele chega a Brasília &lt;em&gt;mau&lt;/em&gt; intencionado e disposto a tocar o terror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amaury adora contar piadas pedantes sobre diplomatas e grandes estadistas, desprezar a classe média paulistana em francês ou italiano, celebrar o outono nas capitais do “velho mundo”, beber &lt;em&gt;scotch &lt;/em&gt;até quase cair, conversar com os garçons como se fossem seus melhores amigos e flertar com todo mundo, sem exceção. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Apesar do olhar frágil por trás dos óculos de armação grossa, ele é um verdadeiro vulcão de lascívia. Conforme o álcool lhe sobe à cabeça, sua personalidade se transforma (tornando-se mais agressiva, inclusive), mais ou menos como a história do médico e do monstro: de mauricinho para Amaury, de Amaury para Maurão e de Maurão para o Pronto Socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A máxima, “mulher de amigo meu, pra mim, é homem”, é o lema de Amaury, que, terminadas as primeiras três doses de uísque, faz terra arrasada dos matrimônios. No estágio Amaury da noite, as namoradas que se cuidem – ele tasca beijos de língua como quem diz boa noite. Já no segundo estágio, alta madrugada e próximo do coma alcoólico, Maurão pode estar à espreita e convites como “vem conhecer o meu &lt;em&gt;laptop&lt;/em&gt; novo” ou “você não quer pendurar o seu casaco no meu &lt;em&gt;cabide&lt;/em&gt;?” representam literalmente &lt;em&gt;the point of no return&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das maiores virtudes de Amaury é guardar segredos. Sua boca é um túmulo como os sarcófagos egípcios (que já foram violados por todos os expedicionários ingleses e larápios árabes que visitaram as pirâmides desde 1842). Poucas pessoas são tão sinceras quanto ele, já que poucos, como ele, possuem a integridade de uma prostituta da baixa Augusta. Amaury fala tudo (isto é, &lt;strong&gt;TUDO&lt;/strong&gt;) para os amigos e, como tem muitos, não há nada da vida de um que o outro não ficou sabendo pela sua língua viperina. No entanto, por milagre ou por ser o cúmulo do &lt;em&gt;joie de vivre&lt;/em&gt;, ninguém consegue romper relações com ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;br /&gt;Amaury é daqueles amigos que fazem milagre e tiram leite de pedra...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;em&gt;(Na foto da Caras, Amaury botando pra quebrar em mais um evento descolo na Sociedade Harmonia de Tênis)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114434145104877740?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114434145104877740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114434145104877740&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114434145104877740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114434145104877740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/04/amaury_06.html' title='Amaury'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114347806150530085</id><published>2006-03-27T13:42:00.000-03:00</published><updated>2006-03-27T13:47:41.530-03:00</updated><title type='text'>A Turma do Bunda e o amiguinho Lajotão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/casamento%202.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/casamento%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Apesar de ser um Bunda, tenho alguns amigos nessa encarnação. O Lajotão, meu amigo sangue azul, colega de colégio, de boteco e de sul da Bahia, possui histórias de vida tão pitorescas quanto as minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A personalidade de Lajotão não é assim... fácil. Lajotão gosta de treta. Talvez porque seja um sujeito objetivo – as pessoas objetivas não têm papas na língua e, talvez por isso, são mais propensas à confusão. Ou talvez porque seja adevogado e, portanto, dono da verdade. Pugilista por natureza, outros adjetivos já usados para o descrever são “bruto”, “simplão”, “enfezado” e “cabeça de jaca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No futebol, por exemplo, Lajotão joga de quarto zagueiro. Tem a classe e a elegância dos craques cujo orgulho supera a habilidade. Dribla os adversários com graça, agilidade e rapidez – na base do chutão e da correria, principalmente pelas laterais – e não perde a bola sem oferecer bons combates (e cotoveladas desleais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua técnica nos gramados é coroada pelo seu espírito de liderança. Se o seu time está atrás no marcador, Lajotão assume a função de juiz e vira o jogo no grito. Quando a situação é realmente grave e a diferença no placar é de 4 ou mais gols, ele também se dispõe a ser técnico da sua equipe e levantar a moral dos companheiros com palavras de ordem incentivadoras como, “a puta que te pariu, Bunda, ou você corre atrás da bola ou sai do jogo e vai dar o cu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lajotão é ruim de diplomacia que só vendo. Uma vez, quase perdeu a cabeça e saiu na mão com uma garota porque esta se recusou a sair da casa que ele e sua turma haviam alugado em Olinda, durante as férias de janeiro do terceiro colegial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confusão toda começou porque Lajotão insistia que ela teria que pagar 10 Reais se quisesse ficar ali. A menina protestava dizendo que o preço era extorsivo e injusto já que dormir na casa significava, na verdade, acampar no jardim em meio aos gansos e às fezes destas aves, as quais a dona do imóvel, uma hippie viciada em maconha e axé, criava às dúzias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bate-boca foi gradualmente esquentando, e a grosseria, a ironia dos bárbaros, por fim contaminou o raciocínio de Lajotão. Ele mandou às favas aquela negociata improdutiva e fatigante sentenciando, “some daqui, gorda”. A menina enterrou o indicador no seu peito aos gritos de “seu escroto!”. A resposta de Lajotão foi sumária: deu-lhe um empurrão que quase a fez rachar o cóccix na calçada – já que não era tão cadeiruda quanto seu agressor – e trancou o portão debaixo dos seus urros histéricos.&lt;br /&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas me sentei para escrever sobre outro episódio, o qual retomarei em breve...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;em&gt;(na foto da Caras, Lajotão à esquerda do Bunda)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114347806150530085?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114347806150530085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114347806150530085&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114347806150530085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114347806150530085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/turma-do-bunda-e-o-amiguinho-lajoto.html' title='A Turma do Bunda e o amiguinho Lajotão'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114304150921936905</id><published>2006-03-22T12:28:00.000-03:00</published><updated>2006-03-22T12:37:16.293-03:00</updated><title type='text'>35 mm de Bunda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/pelicula-negativos.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/pelicula-negativos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dentro de algumas semanas, o Bunda poderá ser visto em rede nacional. Não, não na novela das oito, no comercial novo do Banco do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filmagem ocorreu esse domingo sob um sol de 35 graus. Começou às 4 da manhã – horário em que tive comparecer à produtora para pegar o ônibus até Alphaville – e terminou às 6 da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda é toda composta de cenas externas que foram filmadas na rua, diante de uma simpática banca de jornal. Para dar ao cenário os tons de veracidade necessários, muitos outros atores além de mim e de uma simpática moça negra – nós estrelamos a mega produção – foram convocados. Curiosamente, eles eram mal tratados no set por todo mundo, ganharam uma miséria pela epopéia de 14 horas, representaram o papel dos pedestres, motoristas de táxi e vendedores de cachorro quente e se foderam todos debaixo do sol escaldante. Terminaram o dia com a cara roxa, porque para eles não havia Sundown, e alguns trocados mais ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao todo, acho que havia uns 50 figurantes. Curioso que alguns deles, e em particular o motorista do táxi do qual desembarco de maneira espetacular, celular em mãos e sorriso James Bunda no rosto, amam esse tipo de trabalho. 15 segundos na telinha da TV, mesmo que seja de viés, praticamente invisível no meio da multidão, são mais importantes que o pagamento. Andy Warhol estava certo quando afirmou, “só tem loco e filha da puta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que o momento ápice da filmagem, aquele que vai interessar ao leitor, foi a parte em que a câmera me filma de frente, desembarcando do táxi. Tive que repetir essa cena de 7,45 segundos mais ou menos 27 vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês podem não acreditar, mas atuar em comerciais pode ser mais desafiador que interpretar qualquer personagem de Shakespeare. Eu tinha que sorrir enquanto fuçava no celular como se aquele instrumento fosse o objeto da minha felicidade no mundo. O diretor dizia, “de novo, Bunda, com mais alegria agora”. Repetia a cena e falhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelo take 16, o diretor começou a se irritar. Então, passou a ser mais didático na explicação do que ele queria, “pensa que você acabou de pagar a conta de luz – é um serviço pela internet que só o seu banco tem”, e, lá pelo take 23, instantes antes de perder de vez a paciência e me mandar chupar os bagos do maquiador cujas tetas davam inveja a qualquer cocota (não estou brincando!), subiu o tom de voz de modo a me inspirar, “você está no futuro e todo o restante das pessoas, no passado!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era só o que eu precisava: finalmente acertei o sorriso apropriado e pudemos passar para o próximo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caralho, até que enfim”, confidenciou o diretor aos seus assistentes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114304150921936905?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114304150921936905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114304150921936905&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114304150921936905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114304150921936905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/35-mm-de-bunda.html' title='35 mm de Bunda'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114256992023445777</id><published>2006-03-17T01:30:00.000-03:00</published><updated>2006-03-17T12:51:02.520-03:00</updated><title type='text'>trilogia suja das BR´s - episódio 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/bus??o.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/bus%3F%3Fo.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/bus??o.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Era uma vez o ano de 1996 e o segundo colegial. Naquela época remota, namorava a inesquecível número 1. Ao invés de estudar, jogar futebol e me aventurar nas baladas de forró como o resto dos meus amigos, dedicava todo o meu tempo e todas as minhas energias a alguém que não me amava. Não há nada mais bunda mole que o romantismo aos 16 anos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um dia, durante as férias de julho, a número 1 me convidou para passar um feriado em Campos do Jordão com ela e com a família. Lá fui eu aproveitar a pequena Suiça da classe média paulistana - passear à sombra dos plátanos, tomar cerveja artesanal no centrinho (nada no universo é mais suburbano e guarujento que o conceito "centrinho") e jogar (mini) golf. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A única recordação que tenho dessa viagem é o dia da minha partida. Não que eu tenha detestado todo o resto, é que algo extraordinário (e trágico) ocorreu nesse dia fatídico... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Indo para a rodoviária, senti uma fisgada mortífera no estômago. A mãe da número 1 estranhou meu silêncio repentino. Desconversei dizendo que só de pensar na volta às aulas sentia calafrios. (Eu pensava mesmo era no "chiquérrimo" fondue de queijo da noite anterior e maldizia do fundo das vísceras essa mania culinária da classe média, que gosta de passar frio pois se sente &lt;em&gt;em clima temperado&lt;/em&gt;). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Assim que chegamos, corri a procura do banheiro, mas o encontrei em frangalhos e desprovido de papel higiênico (argh!). A situação era gravíssima: eu estava virando do avesso, meu ônibus estava prestes a sair e não podia pegar o próximo. Por que? Simples: como ficaria a minha dignidade se dissesse para a número 1 na frente da mãe dela, "amorzinho, vou no carro das 11:30 porque tô quase me cagando nas calças"? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Agradeci a hospitalidade, selei a despedida com um beijo e embarquei. Sentei na minha poltrona e comecei a rezar. Assim que o ônibus começou a descer a serra, senti outra fisgada. Aquele era o último aviso antes do desastre. Perguntei ao motorista quanto tempo faltava até a primeira parada. Ele respondeu que a primeira parada era a única parada: São Paulo. Uma lágrima escorreu do meu olho. Ele reparou e se compadeceu da minha miséria. Encostou o ônibus no acostamento e aconselhou à boca miúda, "tem uma canaleta atrás daquelas moitas". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desci do veículo e abri o porta malas já que planejava usar minhas cuecas sujas para me limpar. Uma velha apareceu na janela acima da minha cabeça e gentilmente me entregou sua caixinha de Kleenex dizendo, "coragem, meu filho". A discrição do motorista havia sido em vão - todo mundo me observava pela janela. Corri os 100 metros até a tal canaleta em 11,6 segundos, arriei as calças e obrei. Nunca o Vale do Paraíba me pareceu tão belo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meu retorno foi triunfal. Me senti o Napoleão regressando da campanha do Egito. Os passageiros todos ovacionaram meu heroismo com calorosas salvas de palmas, assobios e palavras de ordem como, "viva o cagão!", "atrasou a viagem, prega solta!" e "merda mole ninguém segura!". Até a reservada senhorinha me vangloriou, "fica com os lencinhos, filho, e não esqueci de lavar a mão quando chegar em casa". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Poucas pessoas sabem que o célebre "brado retumbante às margens plácidas do Ipiranga" foi dado em circunstâncias semelhantes. Dom Pedro também era bunda frouxa. Naquela patriótica tarde de 7 de setembro de 1822, se fodeu, ou melhor, se cagou de verde e amarelo. Mas não perdeu o rebolado - independência ou morte!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114256992023445777?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114256992023445777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114256992023445777&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114256992023445777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114256992023445777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/trilogia-suja-das-brs-episdio-2_17.html' title='trilogia suja das BR´s - episódio 2'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114222131804860711</id><published>2006-03-12T23:40:00.000-03:00</published><updated>2006-03-13T00:41:58.130-03:00</updated><title type='text'>fio dental</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/fio%20dental.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/fio%20dental.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As mulheres mais ousadas (e de mau gosto) gostam de frequentar a praia de fio dental. Hoje me peguei pensando no nome desse modelo de maiô tão célebre nas areias de Ipanema e Copacabana. Será que se chama fio dental porque desaparece entre as nádegas da mulher da mesma maneira como o utensílio de higiene bucal que lhe deu nome desaparece por entre os dentes? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha resposta é não. A origem do termo em questão está diretamente relacionada ao asseio. Tive o insight hoje, enquanto passava fio dental. Há uma semana, mais ou menos, não o fazia (na verdade, um mês e meio - todo mundo mente pro dentista a esse respeito). O lado bom é que a imundície estimula a criatividade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Encaminhava-me para o terceiro par de dentes quando notei a presença de um leve odor de peido no banheiro. Achei aquilo curioso pois não havia soltado um traque nem esquecido de dar a descarga. Apurei o olfato e, para minha surpresa, descobri que a lofa intestinal subia de dentro da minha própria boca. O fio dental exalava o mesmo vapor cadavérico de enxofre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;. Era como se eu tivesse comido espetinho de cocô na hora do almoço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Como não sou o único no mundo que fala merda e tem preguiça de passar fio dental, sei que muitos leitores já se estarreceram com o fato de possuírem dois ânus (falando nele, qual é o plural de ânus? Anís?). Pois então, acompanhem o raciocínio...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O maiô fio dental recebeu esse nome só porque se molda rente ao fiofó das minas e, eventualmente, incorpora o cheiro característico dessa região. Claro está que o fio dental foi uma invenção das fêmeas da classe média carioca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114222131804860711?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114222131804860711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114222131804860711&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114222131804860711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114222131804860711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/fio-dental.html' title='fio dental'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114183405609330700</id><published>2006-03-08T12:45:00.000-03:00</published><updated>2006-03-08T13:07:36.276-03:00</updated><title type='text'>elite brasílica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Brasil, além de outras estatísticas impressionantes, possui a elite mais nojenta do mundo, a qual, nesse buraco, recebe o nome de &lt;em&gt;classe média&lt;/em&gt;. Claro está, portanto, que a definição desse conceito, utilizado aqui com bastante freqüência, não é econômica. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha intenção não é fazer sociologia e sim cutucar o rabo dos hipócritas com meu dedo médio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Alguns aspectos que definem a elite brasileira enquanto classe média (na acepção de uma &lt;strong&gt;classe social&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;medíocre&lt;/strong&gt; - abastada, inculta e centrada em si mesma):&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- andar por aí de bunda suja&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- cobiçar o carro do ano&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- pagar US$ 100,00 pra ver o Bono&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- pagar R$ 1.000,00 numa calça jeans da Diesel&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- pagar pra ter razão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- comer açai na Hélio Pelegrino&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- idolatrar o Jô Soares&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- ler o &lt;em&gt;Código da Vinci&lt;/em&gt; e recomenda-lo como leitura indispensável&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- maltratar garçons&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- varar faróis vermelhos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- esculachar os travecos da avenida do Jóquei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- fazer fila pra comer Burger King sexta à noite&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- fazer fila no Cinemark sábado à noite&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- fazer fila de Harley Davidson no Pirajá domingo à tarde&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- fazer fila&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- malhar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- considerar a si mesmo o centro do universo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- assinar a Veja&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- considerar a seleção brasileira sinônimo de nacionalismo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;- vou pensar em outras coisas mais...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114183405609330700?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114183405609330700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114183405609330700&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114183405609330700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114183405609330700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/elite-braslica.html' title='elite brasílica'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-114166058420908856</id><published>2006-03-06T12:31:00.000-03:00</published><updated>2006-03-06T12:56:24.383-03:00</updated><title type='text'>U2</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/U2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/U2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na semana anterior ao carnaval, a classe média paulistana recebeu o U2 de braços abertos. Em Buenos Aires foi a mesma coisa. Todo um alvoroço para ver de perto uma banda pop meia boca cujo vocalista tem nome de bolacha e cara de pastel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O Bono Vox é o Hugo Chavez da música internacional - um demagogo. A maneira como se veste é tão curiosamente ridícula quanto as suas palavras. Se o nosso saudoso Falcão "I´m not dog, no" fosse milionário, compraria os mesmos óculos escuros bordô da Gucci. Porém, teria o bom senso de não cobiçar o chapeuzinho caubói estilo BrokeBack (SuckCock) Mountain.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A ingenuidade do discurso de Bono Vox em favor do fim das desigualdades sociais no mundo é compreensível, vá lá, já que o seu público é composto majoritariamente de adolescentes e retardados mentais. O que é inadmissível é esse filha da puta vir ao terceiro mundo, cobrar cem dólares num ingresso e ainda bancar o prêmio Nobel, posando pra foto ao lado do Gilberto Gil e do nosso ilustre presidente Lulo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;São Paulo parou para dois dias por causa dos shows do U2 - o trânsito estanque nas principais avenidas. Eu que sou bunda, mas não sou burro, trafego pela cidade de bicicleta. Não imaginam qual foi o meu prazer de ver a classe média se foder a caminho do Itaim, congestionada no bafo morno das seis e quinze da noite em plena segunda-feira. Voava pelo corredor entre os carros contemplando a cara de cu dos jovens motoristas engravatados dos Golfs, Audis e EcoSports aflitos para chegar em casa e correr pro Morumbi. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Fim das desiguldades sociais no mundo é ver a classe média se foder. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-114166058420908856?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/114166058420908856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=114166058420908856&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114166058420908856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/114166058420908856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/03/u2.html' title='U2'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113959733376709024</id><published>2006-02-10T16:40:00.000-02:00</published><updated>2006-02-10T16:53:41.010-02:00</updated><title type='text'>Enciclopédia Bunda da Xuxa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/veio.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/veio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Bunda agora descolou um emprego. Dedica as suas tardes a traduzir do inglês os verbetes de uma enciclopédia de pesadelos. Todos os símbolos que aparecem nos sonhos estão ali listados com seu respectivo significado. Sonhar com um elevador, por exemplo, pode significar que uma pessoa está perdendo o controle sobre a sua vida já que os elevadores, assim como os aviões, provocam nos passageiros uma sensação de impotência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, curiosa essa palavra, “passageiro”... Igualmente curioso os nomes “Cometa” e “São Geraldo” para empresas de transporte rodoviário. Curioso não, irônico – fico pensando no pesadelo que não foi acordar retorcido no meio das ferragens quando aqueles ônibus se chocaram no interior do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando ao assunto da enciclopédia, esta será uma grande farsa. Um livro para adornar a mesa de centro da sala. Mas, apesar do conteúdo de pura picaretagem, a classe média vai adorar posto que um de seus passatempos favoritos (na verdade, não se trata de um passatempo, pois questões como essas têm para a pequena burguesia o peso de debates filosóficos sérios) é se perder em pensamentos idílicos. A Enciclopédia de Pesadelos sem dúvida há de entreter os convidados nos churrascos de sábado à tarde, impressionante ao lado dos outros volumes dedicados ao zodíaco e a receitas de como alcançar a felicidade. Sorte do editor, que vai encher o rabo de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É contra esse tipo de literatura e em homenagem ao maior ídolo infantil dos anos 80 que o Bunda lançará a sua própria enciclopédia, intitulada Enciclopédia Bunda da Xuxa. Hoje, começaremos pelas letras A, de Amor, e B, de baixinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AMOR – O amor não existe senão nos melodramas cinematográficos importados da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe média adora se emocionar nas salas de cinema com esse tipo de lixo. Depois, voltam pra casa esquecidos da rotina e de que a vida real é um tédio não fosse o ap na Riviera (de São Lourenço) e o Pânico na TV e fazem amor ao som de Kenny G ou Osvaldo Montenegro, no caso dos mais patriotas, que só se fodem de verde-e-amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor de fato não é um sentimento estável que possa servir de tema para um filme romântico. O amor muda de idéia assim como o vento muda de direção; é a flatulência da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BAIXINHO – Existem muitas maneiras de alcunhar um baixote – escafandrista de aquário, pintor de rodapé, mineiro de ralo, chaveirinho, tampinha e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já reparou que todo anão é briguento? No trânsito, todo motorista esquentadinho tem menos de 1,60 m. O automóvel lhes proporciona o tamanho avantajado que a natureza lhes negou. Acham que podem passar por cima dos outros quando, na verdade, passam literalmente despercebidos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ultimamente, com a moda do jiu jitsu e dos milk shakes de proteína e esteróides, alguns gnomos têm conseguido se libertar da sua tão odiada condição de inferioridade métrica e moral. Graças a exercícios físicos intensivos, que aumentam consideravelmente a sua envergadura e inflam a sua autoconfiança, têm conquistado cada vez mais espaço nas pistas de dança de Maresias. Partem pra cima das tchutchucas siliconadas sem o menor constrangimento, inconscientes de que elas continuam certas de que tamanho é documento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113959733376709024?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113959733376709024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113959733376709024&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113959733376709024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113959733376709024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/02/enciclopdia-bunda-da-xuxa.html' title='Enciclopédia Bunda da Xuxa'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113891118173352181</id><published>2006-02-02T14:19:00.000-02:00</published><updated>2006-02-02T19:55:25.093-02:00</updated><title type='text'>princesinha do 32</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/certo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/certo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/wpp_biquini_1024.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Bonitinha, mas ordinária, diria Nelson Rodrigues. O Bunda prefere ir direto ao ponto: gostosa e dadeira, porém manhosa e espertalhona. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A princesinha do 32 - todo prédio tem uma. Ela pode ser&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; morena de cabelos castanhos até a altura do rabo, simpática, porém impaciente, sempre mascando chiclete da mesma maneira como um cavalo masca capim. Mas, em geral, é loira artificial, piercing no umbigo, boca mole na hora de falar estilo "papai, queria tanto chupar a rola do Paulinho... ah, papai, deixa vai, pleeeaaase", muita sagacidade nos olhos e muita ambição no útero. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando ela desce pra tomar sol na piscina a alegria é geral. A molecada do condomínio aglomera na casa do Luisinho Eduardo, que mora no segundo andar, para a ver dourar. Ponto alto é quando se derrama na espreguiçadeira e desatarracha o biquini. Não gosta da marquinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nas férias de fim de ano, em Trancoso, fez &lt;em&gt;topless&lt;/em&gt;. Galinhou um pouco por lá com suas tetinhas de biquinhos tostadinhos que nem bacon - "ai, tinha cada gatinho na Estrela d´Água...". Mas aqui em São Paulo, está mesmo é de olho na poupança do Fefê, o filho do apresentador daquele programa de TV em que os estagiários se matam pra ver quem vai passar o resto da vida lambendo as bolas do patrão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A princesinha do 32 é também a Miss Moema. Na locadora de vídeo, é uma celebridade. Causa alvoroço quando chega. Um dia, o Cauê, o gordinho punheteiro que faz o turno da noite, flagrou-a alugando um pornô. Foi a fofoca da semana; sem dúvida sairia na revista se houvesse uma &lt;em&gt;Caras&lt;/em&gt; dedicada aos bairros paulistanos mais badalados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nos finais de semana, gosta de "descer a serra até Mareca". O Fefê tem uma mansão lá, o que lhe dá a oportunidade de desfrutar a praia e ao mesmo tempo investir no seu fundo de previdência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ela fala mais do que a boca. Mas ninguém presta atenção, a não ser quando ela tomou uns goles a mais. Daí ninguém tem escolha: ela fala mais alto que um megafone. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O que encanta os homens na princesinha é a carne dos lábios e a vocação para potranca. Não tem charme, nem graça, mas sem dúvida nenhuma sabe prender a atenção de um homem. Chupa como uma draga e geme, geme, geme gostoso como se fosse verdade que goza com penetração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ah, princesinha do 32...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113891118173352181?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113891118173352181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113891118173352181&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113891118173352181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113891118173352181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/02/princesinha-do-32.html' title='princesinha do 32'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113866478201875337</id><published>2006-01-30T21:38:00.000-02:00</published><updated>2006-01-30T21:53:08.696-02:00</updated><title type='text'>fio terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/fio%20terra.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/fio%20terra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O assunto é polêmico. Alguns repudiam sem nunca ter experimentado (mentira), outros amam, mas jamais admitiriam que sim. Mas todo mundo já ouviu uma boa história relacionada ao famigerado fio terra, conhecido nas ruas também como "pula, pirata!" ou, mais recentemente, como uma variação do futebolístico "pedala, Robinho!".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A seguir, o relato de um grande amigo do Bunda, o Paulão, que flagrou a mãe do Loló levando uma bela de uma dedada...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Estava eu, certa feita, correndo lá na pracinha perto do Colégio Pentágono quando vi os pais do Loló andando na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância era grande, mas logo os reconheci, pois sempre os via por ali. Nesse dia, o Sr. Papai do Loló estava especialmente carinhoso com sua pia, fiel e amantíssima esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava galantemente a mão direita nas costas da respeitável mulher. Os dois conversavam como adolescentes enamorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme me aproximava dos pombinhos, notei que a mão do Sr. Papai do Loló caía sob o peso irresistível da paixão e pousava sobre a generosa poupança da digníssima senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu estava a menos de dois metros do casal de amantes, tendo os olhos fixos naquelas carícias, percebi o confiante Sr. Papai do Loló enterrar, súbito, o dedo indicador no rabo de sua potranca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indomável, a surpresa matriarca deu o pulinho característico dos que levam dedada no cu e, em um átimo, olhou para trás na esperança de que ninguém tivesse visto aquela ostentação de luxúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pânico! Foi o que vi no rosto da pobre senhora ao notar o amigo do filho tão perto. Menos de meio metro nos separava então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elegantemente, cumprimentei-os com o respeito de quem já pegou muita carona com aqueles prestativos vizinhos e continuei meu jogging, tendo em vista que as calorias não sucumbem à imoralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi-me então em pensamentos sobre o que conversavam antes do famigerado pula-pirata. Imagino que ele dizia: "Hoje eu tô a fim de comer cu!" - e, percebendo a resistência da parceira, adiantava: "Não tem 'mas' nem 'menos'! Hoje é dia de tocar o lado B do disco! É cu e ponto final!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um desses momentos mágicos que mudam a vida de uma pessoa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113866478201875337?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113866478201875337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113866478201875337&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113866478201875337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113866478201875337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/fio-terra.html' title='fio terra'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113830459032537961</id><published>2006-01-26T16:21:00.000-02:00</published><updated>2006-01-26T17:45:49.070-02:00</updated><title type='text'>Loló a pique</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/detalhe_muro.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/detalhe_muro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;15 metros separavam-no do Paraíso. Apenas 15 metros, não mais que isso. Uma distância ínfima, mas ao mesmo tempo, dadas as circunstâncias, instransponível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Até respirar era difícil em meio à multidão de pessoas que dançavam freneticamente, falando alto &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;e suando em bicas. Ao fundo do bar, uma banda de samba rock arriscava mais uma das canções do Tim Maia Racional. O vocalista, um japa com cara de técnico em informática, liderava a animação. Empolgado com a resposta positiva do público, resolveu se empetecar com um óculos de sol. Agora, parecia um hacker. Com ele ninguém podia, nem o Mick Jagger.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A cabeça de Loló pesava-lhe nos ombros mais que o normal, entorpecida de maconha, álcool e agora pela neblina formada pela fumaça dos cigarros. A música também não lhe estava fazendo bem. O japa de óculos escuros era a prova cabal de que havia se enfiado numa imensa roubada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma noite de sábado em lugares como o Moai ou o extinto Sem Eira Nem Abilene pode ser mais cruel que uma temporada no porão do DOPS - um suplício físico além de financeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Algo não ia bem nas entranhas de Loló. Seu estômago roncou como se alguém o tivesse torcido. Uma dor indescritível imediatamente correu-lhe a espinha e uma gota de suor frio escorreu pela sua têmpora. Aquele era o aviso de que o barraco de pau-a-pique ia, literalmente, cair. E a única solução para o seu grave problema era vencer a barreira humana que bloqueava o acesso ao &lt;em&gt;water closet&lt;/em&gt;. O segundo chamado seria definitivo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Atordoado, Loló só conseguia pensar em duas coisas: na intensidade da dor que lhe corroía as entranhas e no instante glorioso da sua coroação, quando, vitorioso, ocupasse o trono da casa noturna. Embrenhou-se na multidão, mas não conseguiu dar mais do que cinco passos. A pressa fez com que sua pressão caísse radicalmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Já sem forças, Loló apoiou-se no ombro de seu amigo Wiley e anunciou, "me segura que eu vou desma..."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando acordou, Loló estava olhando para um fio de água correndo rente à sarjeta. Não sabia mais onde estava nem o que havia acontecido. Seu pescoço estava travado, duro como rocha. A visão e os demais sentidos ressucitaram aos poucos, mas foi o olfato que despertou primeiro, estimulado pelo vapor inconfundível de merda humana. Os olhos de Loló localizaram a origem da lofa: vinha de dentro das suas próprias calças que, reparou só então, estavam encharcadas de mijo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Assim que tomou consciência de que havia se cagado inteiro e fora carregado para fora da balada como um morto, Loló levantou-se num salto. Ou melhor, levantou-se o mais rápido que pode, tomando cuidado para que a carga pesada não escapasse da cueca e escorresse pelas pernas. Sem se despedir dos amiguinhos que o olhavam com um misto de asco e espanto, "correu" até o carro e partiu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Um manobrista cheio de graça chegou a perguntar se ele havia perdido as pregas, mas Loló não se dignou a responder. Todo fodido, ainda tinha outro probolema para solucionar: como dirigir até em casa sem apoiar a busanfa emporcalhada no assento do motorista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113830459032537961?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113830459032537961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113830459032537961&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113830459032537961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113830459032537961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/lol-pique.html' title='Loló a pique'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113813040746116468</id><published>2006-01-24T15:00:00.000-02:00</published><updated>2006-01-24T17:31:31.866-02:00</updated><title type='text'>TX</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/tx.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/tx.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Se levarmos em conta que a expressão "selva de pedra", apesar de ser uma metáfora clichê, descreve com precisão o espaço urbano, a analogia entre animais e seres humanos não só é lícita como também nos ajuda a compreender a dinâmica da vida numa grande cidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De que outra forma é possível entender a lógica dos taxistas trapaceiros, por exemplo, senão através do pressuposto básico do Darwinismo, segundo o qual somente os organismos mais adaptados ao meio sobrevivem? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pois, se a cidade é mesmo o antro da malandragem, então, o ditado reza sabiamente, "quem anda em terra alheia é o primeiro que apanha e o derradeiro que come".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Assim como nas florestas há diferentes espécies de bichos e, dentre essas espécies, variações de raça, os habitantes de uma cidade podem igualmente ser classificados segundo a hierarquia do reino animal. Atemo-nos à espécie dos motoristas profissionais e, mais especificamente, à raça dos taxistas, a mais numerosa e melhor adaptada aos rigores do trânsito metropolitano. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Enraizada na sua natureza, encontra-se uma obsessão pela morte. Os taxistas têm fascínio por sangue fresco, músculos dilacerados e tripas escancaradas. Onde há um acidente, há também pelo menos três taxistas acompanhando o trabalho dos bombeiros,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; todos torcendo contra a vida. Em segredo ou trocando entre si comentários funestos como "esse se fodeu todo, num vai dar jeito" à boca miúda, deliciam-se com a morte como se assistissem a um espetáculo teatral. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No âmbito da política, são eleitores convictos de figuras como Salim Maluf e ACM. Partidários da velha guarda da canalhice administrativa brasileira, querem nos impelir todos à morte invocando orgulhosamente e a torto e a direito o bordão "rouba, mas faz". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Alguns espécimes dessa raça, a qual votou maciçamente contra a proibição do comércio de armas de fogo e munições no último referendo realizado nessa nossa republiqueta, levam pistolas no porta-luvas de seus veículos. Acreditam que gente de bem é uma raça e ladrão é outra. Os primeiros merecem ser bem atendidos (lero macio e taxímetro viciado), os segundos merecem chumbo grosso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Como aves de rapina, anseiam a nossa falência financeira. Escolhem sempre o trajeto mais sinuoso vendendo-o como um bom conselho, "vai por mim, colega, que esse atalho vale a pena". Mas, se conselho fosse bom, a tia Bernadete tava rica, de férias em Cancun, ao invés de resmungona e amargurada, estorvando a vida alheia durante os almoços familiares de domingo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;. Os taxistas sabem disso. Quando requisitados a seguir o caminho de nossa preferência, desconversam com argumentos irrefutáveis, dizendo que tem obra em não sei que ponto da avenida. Em suma, as coisas sempre são do jeito deles - letais para o bolso do passageiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quando batem o carro, nunca levam a culpa. Passam o dia todo dirigindo e, por isso, não se consideram maus motoristas. É claro que, na realidade, são os piores motoristas que há, piores até que os motoristas de ônibus, outra raça de barbeiros muito comum na urbe. Mas não importa - eles são profissionais, os outros, amadores. O fim das contas é este: um motorista inoocente com cara de bunda se virando pra resolver as burocracias do seguro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Escrevo tudo isso porque em Salvador peguei um táxi cujo motorista era um personagem. Dizia que a estrada do Côco era excomungada; muita gente tinha morrido ali. Contou de um acidente de moto em que o motoqueiro, após ser prensado por um ônibus, perdeu, literalmente, a cabeça. Além de outras coisinhas indigestas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Vai entender...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113813040746116468?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113813040746116468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113813040746116468&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113813040746116468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113813040746116468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/tx.html' title='TX'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113805009795085109</id><published>2006-01-23T19:00:00.000-02:00</published><updated>2006-01-23T19:01:37.976-02:00</updated><title type='text'>pelô</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/magritte-pipe2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/magritte-pipe2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um nóia pode ser reconhecido à distância, pelo olhar vidrado no invisível e pela superfície da pele, escalavrada como o asfalto de uma rua da periferia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dias de calor intenso, é comum vê-los recostados nas fontes, banhando de sol as feridas abertas na carne pelas pauladas das noites em claro e o resto do corpo de respingos de água suja enquanto, na mais serena paz, curtem um banzo - o breve momento de lucidez que antecede a necessidade incontrolável de mais uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A urgência contra-ataca de repente: uma coceira insistente na borda interna do crânio, que a mão não alcança, mas que precisa de alívio imediato, sob o risco de se tornar uma convulsão, um colapso nervoso. Nada a não ser o vapor da rebarba pode amainar a aflição da feridinha; o nóia sabe disso, apesar de já encontrar dificuldade em organizar as idéias. O pensamento lhe vem como um amontoado de sensações e reminiscências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminha pela multidão como se estivesse perdido num labirinto. A realidade objetiva se funde ao universo fantasmagórico da fantasia: quadros remotos do passado anterior ao centro velho da cidade, lembrança vaga de certos princípios que constituíam a ética e um mundo de valores abstratos reduzido ao individualismo da necessidade fisiológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nóia esquiva-se dos passantes como se fossem eles os trombadinhas, uma gente estranha que não tem feições claras e fala outra língua; a não ser quando se concentra em algum tipo de esquema para arrancar dinheiro, então o ouvido apreende o português e a boca articula palavras semelhantes àquelas que o pensamento vislumbra através da névoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chega aí, meu rei, to vendendo aqui essas pulseiras pra me ajudar a comer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pulseiras que ele leva na mão esquerda, uma, verde limão, a outra, vermelha, devem ter sido achadas no chão. Estão encardidas e só caberiam no pulso de uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É sério, meu rei, to com um esquema aqui que é do bom. Cinco conto o papel”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passante resolve que é esperto, conhece as artimanhas da boca do lixo. Pergunta qual é a do bagulho, se pesa um pra um?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oxe, to vendo que o paulista entende do assunto. Saca só a pulseira, rei”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nóia deposita na mão do passante um papel embrulhado enquanto tenta fechar a pulseira verde. O paulista recusa a mercadoria, ainda crente que se trata de maconha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É de graça, rei. Meu nome é Juninho e to sempre aí na área pro que der e vier. E to de dando a parada aí que é porque você respeitou minha dignidade parando pra me ouvir, falo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paulista padece de bondade no coração e resolve que é seu dever comprar a pulseira, que custa 3 Reais. Mas o paulista também padece de imbecilidade crônica e saca do bolso uma nota de 20, a menor que ele tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamo trocar isso aí, rei, chega ai. Fica tranqüilo, rei, que num sou bandido não, é logo ali”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levado até um fliperama, o paulista acaba por comprar uma água mineral e duas pulseiras de merda por 15 Reais. O nóia não quer nem saber. Despede-se do paulista que caiu no golpe como um legítimo bundão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113805009795085109?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113805009795085109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113805009795085109&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113805009795085109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113805009795085109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/pel.html' title='pelô'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113719465747226468</id><published>2006-01-13T20:42:00.000-02:00</published><updated>2006-01-13T21:24:17.553-02:00</updated><title type='text'>réptil</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/reptil.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/reptil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Me explicava detalhes do tantra enquanto sua vagina funda e mole como areia movediça engolia um pedaço de mim, drenando quase todo o sangue do meu corpo. Dizia nomes estranhos ao meu ouvido, sussurrando um hálito amargo como maresia, que me arrepiava a nuca, mas agredia o olfato. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não nos beijamos mais do que duas vezes. Talvez porque não tívessemos acertado a sincronia em nenhuma das duas tentativas. Talvez porque fosse intimidade demais. O gosto da boca de alguém. A única porção interna do corpo a que temos acesso integral, que o tato apreende e a visão alcança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tampouco houve espaço para abraçar seus olhos verdes, já desbotados e tendendo para o amarelo. A não ser por um momento de recesso, deitados lado a lado e refletindo sobre o vento ralo que o ventilador empurrava para baixo custosamente. Seguiu falando do sexo como uma união espiritual, como se a ejaculação precoce fosse uma doença da minha geração. Sorria ao ver que compreendia o que dizia em outras palavras. Por experiência própria, por sensibilidade. Coisas que se entende na prática, como a curiosidade da ponta dos dedos e a incerteza do olhar que estuda repetidas vezes a mesma paisagem na dúvida ou expectativad e alguma mudança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O orgasmo como uma descarga de energia completa. O lugar do esperma, incontinência. Ela queria que desovasse dentro da boca dela. Mas preferi me resguardar. E o ânimo acabou muito antes disso. Como uma espécie de masturbação, o devaneio feito real, volátil, quase aflitivo. Então, ela saiu pela fresta da porta e caí no sono como um morto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Lembro do seu colo, principalmente, vemelho como saibro, a pele grossa como a de um réptil. Por alguns segundos, a impressão digital ficava ali impressa. Colo gasto de mãe e de sol. Era inteira salgada como água marinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não quis virar-se de costas pra mim. Foi nesse momento que o fôlegou acabou e o tempo pesou. Tive saudade não sei de quê. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113719465747226468?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113719465747226468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113719465747226468&amp;isPopup=true' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113719465747226468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113719465747226468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/rptil.html' title='réptil'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113694125000327678</id><published>2006-01-10T22:27:00.000-02:00</published><updated>2006-01-10T23:06:03.380-02:00</updated><title type='text'>BG</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/coco.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/coco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De fato, o Bunda está de férias. Tem todo o direito, portanto, de deixar o buraco aqui às moscas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para quem não sabe, estou na Bahia, não mais em Trancoso, mas em BG (Barra Grande), na pousada do Serjão Bigode. Ele continua bigodudo, gente fina e comandando a padoca da esquina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não bebo pinga, mas mandei ver num ácido outro dia e foi bem louco. Areia rosa e pé de côco. Muito pé de côco. E pra vocês que são profissionais liberais e estão se fodendo em janeiro, recebam os pêsames desse desempregado bundão. Ou como se diz aqui: NO STRESS, PÉ DE CÔCO, YES. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A internet aqui custa uma fortuna. Vou ser breve e relatar alguns episódios da minha viagem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;1. Vindo pra de SP para Porto Seguro, havia uma gorda no busão que não parava de falar. Além de falar muito, falava alto o bastante para que todos no ônibus ouvissem. Era evangélica e, talvez por isso, se considerava uma vítima do mundo. Logo, as pessoas deviam se compadecer dela , apesar da sua chatice infinita, porque sofria e Deus devia perdoá-la da sua chatice infinita porque tinha fé. Aleluia, irmãos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;No meio da noite, perdeu os óculos e exigiu que o motorista acendesse todas as luzes do buso para procurá-lo. Como se não bastasse o incômodo das lâmpadas, a gorda ainda arregimentou as pessoas à sua frente, às suas costas e ao seu lado para que ajudassem na busca. Tudo isso em alto e bom som durante meia hora. Até que acharam o óculos dela e ela agradeceu dizendo que sem eles, era uma dor insuportável. "O caroço do olho parece que vai estourar", dizia, "cheguei ate a chorar amarelo uma vez", completou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Desnecessário dizer que a filha caçula da gorda, chamada Keyla (sim, com Y) e feia como um cupim, gorfou na terceira hora de viagem. Dividia duas poltronas com a mãe e com um outro coitado que se fodeu como eu uma vez me fodi (ver o episódio 1 da Trilogia Suja das BR´s). Bebia iogute como uma draga. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando a gorda vazou em Eunápolis foi uma alegria geral. Experiência que resultou na seguinte expressão idiomática, já de uso corrente aqui no litoral baiano, "bancar a gorda". Quando alguém resolve que vai trancar a rua como o Exu, pode escrever: esse alguém está "bancando a gorda".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;2. Apesar de bundão, conheci um grupo de &lt;em&gt;chicas&lt;/em&gt; gente finíssima. Sim, o Bunda se apaixonou este verão. Ela tem um nome católico e olhos castanhos, nítidos e concêntricos como uma cicatriz. Evidentemente, nada aconteceu fora da minha cabeça fantasiosa. Ainda assim, a guapa rendeu um poema que não cabe publicar no buraco. Ela é argentina e absolutamente linda, de modo que a alma salta à flor da pele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;3. Hoje, fiquei observando uma família durante o jantar. Ao pai, atribui o apelido de Jorjão e, ao filho mais velho, Júnior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Jorjão é do tipo que usa um Raider marinho junto como uma regata da Reebok. Puxa ferro ocasionalmente, mas a cerveja já limou sua silhueta tanto que, atualmente, está mais próximo de um bujão de gás do que do Stalone. Jorjão guia um &lt;em&gt;station wagon&lt;/em&gt;. É aparentemente apaixonado pela sua esposa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A única coisa que lhe tira o sono são os lábios do Júnior. Há pouco tempo, reparou que são grossos e lisos, talhados pelos deuses e ideais para a prática da chupeta. Toda vez que olha para o Júnior, essa idéia lhe provoca um calafrio. E toda vez que Júnior tenta se aproximar do pai, seja lhe contando uma história, seja abraçando-o, Jorjão o repreende. Tem horror de pensar que sua doce esposa desconfia que nessas horas seu pau infla como um balão de Hélio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É triste saber que de fato existe um público alvo suscetível às influências da propaganda. É a previsibilidade que torna a classe média digna de asco e pena. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;4. A melhor maneira de viajar é sozinho. A cabeça respira. Mas conversar com os amigos de São Paulo durante uma viagem também é bom. Há segredos que só são possíveis longe da rotina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;5. Estarei de volta dia 20 e então novamente prolixo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cordiais saudações aos leitores ainda interessados&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113694125000327678?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113694125000327678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113694125000327678&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113694125000327678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113694125000327678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2006/01/bg.html' title='BG'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113527689420403281</id><published>2005-12-22T16:35:00.000-02:00</published><updated>2005-12-22T16:41:34.216-02:00</updated><title type='text'>às moscas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/paraisopolis.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/paraisopolis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(paraisópolis vista do alto do morumbi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as pipas são o mosqueiro&lt;br /&gt;sobre o cheiro de tripa aberta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;que exala a merda humana.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113527689420403281?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113527689420403281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113527689420403281&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113527689420403281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113527689420403281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/s-moscas.html' title='às moscas'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113519272868359894</id><published>2005-12-21T16:26:00.000-02:00</published><updated>2005-12-21T17:22:30.316-02:00</updated><title type='text'>bichos notívagos</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/neon.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/neon.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/neon.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(madrugada na augusta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;galinhas e piranhas&lt;br /&gt;vendem pererecas e aranhas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;aos garanhões viris.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113519272868359894?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113519272868359894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113519272868359894&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113519272868359894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113519272868359894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/bichos-notvagos.html' title='bichos notívagos'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113494410380071923</id><published>2005-12-18T20:09:00.000-02:00</published><updated>2005-12-18T20:27:19.433-02:00</updated><title type='text'>ode à periquita</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/roses.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/roses.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi-se o tempo em que a paixão era uma idéia mal acabada do que é a paixão de fato. Durante a adolescência, a mulher é uma espécie de abstração. A atração física existe, mas vem em segundo plano, descolada da alma. De duas, uma: ou a mina é gostosa ou ela é legal. Aos poucos, entretanto, conforme o interesse pelo futebol cede lugar para a curiosidade de entender a matemática das curvas e a diversidade das fragrâncias femininas, a relação dialética entre corpo e alma se estabelece. Então, as garotas que antes se destacavam das demais por ser bonitas e simpáticas ao mesmo tempo – o que, naquela época, consistia um verdadeiro milagre –, deixam de ser a exceção. Tornam-se a regra. E, conseqüentemente, o paladar do macho começa a se desenvolver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um novo mundo se abre para os seus olhos (e para os seus inquietos hormônios). As indiscutivelmente belas continuam unânimes, mas não brilham sozinhas. O macho passa a entender a personalidade da fêmea como um dado da sua sexualidade. Conscientiza-se de que as tímidas, por exemplo, escondem entre as pernas verdadeiros incêndios e de que, por trás de um sorriso duro, que não revela a íntegra da arcada dentária, existe toda uma enciclopédia de perversões e atrocidades. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As chatas são chatas só porque são insatisfeitas; o que significa que a chatice – feliz descoberta – não lhes é natural ou intrínseca, sendo, portanto, passível de ser corrigida (não sem uma boa surra de imoralidade, claro). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As megeras encontram na mesquinhez uma maneira de atrair homens propensos à submissão. Geralmente, têm requintes autoritários: preferem estar sempre “por cima da situação”, gostam de ditar o “ritmo da música” e não têm compaixão pelos “amigos mais íntimos” senão quando a sua “vocação para a liderança” é contestada ou sumariamente arrebatada pela força bruta, pura e simples. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As extrovertidas e também as desinibidas, ao contrário do que a primeira impressão vende, são, de longe, as mais inseguras. Falam de sexo como se falassem de uma ciência trivial: entendem tudo do assunto, já experimentaram todas as posições em todos os lugares imagináveis e divulgam para as amigas menos escoladas na matéria, com a eloqüência de especialistas, que o sabor da “pitanga” é azedinho, mas é sublime. No fundo, a lascívia é inversamente proporcional à criatividade e na hora do vamos ver, perdem completamente o rebolado. Seu maior desafio na vida é vencer as travas da repressão e libertar-se da frigidez. (Sorte delas que há machos dispostos a enfrentar moinhos de vento em nome da felicidade). &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ao longo da vida, o macho também passa a condicionar os seus sentidos para que até mesmo as paisagens mais adversas lhe proporcione deleites estéticos. Assim, surgem as nuances, a riqueza dos detalhes, a originalidade dos traços e a variedade infinita de cores e aromas e formas. O macho entende, enfim, que cada exemplar da fauna feminina é único e constitui individualmente um universo incomensurável e delicioso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O arquétipo da GORDA, dessa forma, subdivide-se em milhares de variações pitorescas: há as orcas, as morsas, as baleias jubarte, as baleias brancas (que não se enquadram exclusivamente nessa categoria), as elefantas e as jamantas, cada uma com seu encanto particular. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por sua vez, as fêmeas que padecem do famigerado mau hálito crônico, ou melhor, do bafo de onça incorrigível, são amplamente anistiadas da sua má fama. Sim, porque o bafão é como o vapor de um vinho envelhecido: possui consistência e índole própria, podendo ser encorpado como o interior de uma masmorra ou aguado como urina de criança, silvestre como uma axila ou doce como um fim de feira. Tudo depende da sofisticação olfativa do macho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já as mocréias, conhecidas também como buchas ou canhões nas forças armadas, destacam-se pelo exotismo. O macho desenvolve todo um léxico novo em função do olhar apurado. Somente aqueles que padecem de muita pobreza de espírito seguem considerando as frases de pára-choque de caminhão como “mulher feia e macaco gordo só servem pra quebrar galho” engraçadas. O conceito “mulher feia” não faz sentido quando se reconhece na fisionomia dessas fêmeas excêntricas os traços geniais de Picasso, Lucien Freud ou Modigliani. Nariz, boca e olhos fora de esquadro não são características de um rosto desconjuntado, mas belo independente do ponto de vista. A lividez excessiva, combinada a arroxeados indícios de atrofiamento muscular, é graciosa como uma cicatriz no joelho: marca que a vida imprime na pele e que atesta uma infância feliz e agitada. E, por fim, o pescoço de girafa e a macrocefalia o que fazem, senão agigantar a formosura das bruacas? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida é uma escola e, em matéria de xavasca, todo o conhecimento do mundo é pouco. A educação dos sentidos leva anos. O treinamento é árduo – às vezes ingrato –, mas ao mesmo tempo arrebatador. É um projeto de vida, um glorioso projeto de vida. Evoé, periquita!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113494410380071923?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113494410380071923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113494410380071923&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113494410380071923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113494410380071923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/ode-periquita.html' title='ode à periquita'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113468132201781447</id><published>2005-12-15T17:51:00.000-02:00</published><updated>2005-12-22T16:45:14.503-02:00</updated><title type='text'>pedestre</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/doggy.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/doggy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/dog%20sampa.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em alguns bairros da cidade, é possível transitar à pé. Há calçadas. Algumas delas, inclusive, ainda reproduzem o mosaico de mapas do estado de São Paulo em branco e preto. Bairros nobres como os Jardins, Vila Nova Conceição ou Higienópolis e bairros não tão nobres como Moema, Itaim, Perdizes e Vila Madalena. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Neles, a classe média se sente segura. Exércitos particulares &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;guardam os portões dos prédios. Câmeras ocultas, cercas elétricas e holofotes automáticos intimidam os fascínoras. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;As mães de meia idade (ou domésticas devidamente uniformizadas) podem passear filhos pequenos e &lt;em&gt;poodles&lt;/em&gt; em paz enquanto os maridos, trajando agasalhos &lt;em&gt;Nike,&lt;/em&gt; exercitam as pernas e se livram do &lt;em&gt;stress&lt;/em&gt; praticando cooper.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Infelizmente, não é todo mundo que tem o costume de recolher as fezes dos animais que criam em casa. Catar bosta do chão não pega bem. Algumas pessoas acreditam que o amor, mesmo por um bicho de estimação, não envolve sujeira - vapores e secreções. Ou então não amam. Tanto faz, porque o resumo da ópera é o mesmo: relações conjugais tão assépticas quanto irrelevantes e calçadas minadas de cocô.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quem anda distraído tem menos sorte. Especialmente em locais onde há canteiros ou gramados. Os p&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;roprietários incentivam seus cães a evacuar nessas áreas. Merda não só é biodegradável como fica camuflada onde tem terra. Uma pena para quem caminha com a cabeça nas nuvens. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sim, porque a classe média nunca escorrega na própria merda...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quanto será que custa o milagre?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113468132201781447?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113468132201781447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113468132201781447&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113468132201781447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113468132201781447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/pedestre.html' title='pedestre'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113458236450064819</id><published>2005-12-14T15:41:00.000-02:00</published><updated>2005-12-14T16:01:56.740-02:00</updated><title type='text'>um pretinho no meio fio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/febem.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/febem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um pretinho no meio fio é a maneira mais sutil que o demônio encontrou de dar o bote. Tem sempre um que se destaca dos demais. Pela cara de anjo, envelhecida e deformada através do plástico transparente melado de cola. O cigarro ardendo entre os dedos, finos como varas de condão. Tórax magro de tuberculose e afeição mutilada. Magia negra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Na esquina da São Luís, onde se concentram em bandos, largados ao longo da sarjeta, a noite invade o dia. Vampiros – passam horas e horas vagando a esmo pelos labirintos da própria imaginação, debaixo de cobertores acrílicos antes usados como filtros de ar condicionado nas velhas repartições públicas. Comunicação acontece por telepatia ou gruturais sílabas de um dialeto inventado. Às vezes, interjeições estridentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O devaneio do menor conduz todo o bando. O diabo propõe um jogo aos demais com a intenção de levanta-los do chão. O som da cidade é um pano de fundo, longínquo como contemplar o horizonte em oposição ao oceano. 360 graus. Dá até pra adivinhar que a Terra é redonda. Ondas lavam a areia dura. E o vento corre em sentido contrário ao pensamento. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nesse momento, o marulho é o trânsito acelerando ao sinal verde. O menor dá a largada: ele e seu bando serão gaivotas às avessas – morcegos marinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, estão todos despertos, braços perpendiculares ao corpo e correria. Alguém avistou uma presa do alto do Terraço Itália. Em formação de ataque, descrevem no ar um mergulho veloz, quase suicida, como se o Hilton desativado fosse um precipício. Rasante sobre a calçada no momento exato em que explodiriam contra o concreto. Então, disparam certeiros como projéteis, o sangue rodopiando nas veias do rosto contorcido de êxtase. Espetáculo selvagem. Metálico para os sentidos como um corte. Fotografia em branco e preto. Gravura. Passam por entre os passantes como se fossem invisíveis. Como se o olhar alheio fosse insensível à natureza morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a realidade não é bem essa. Pelo menos três pessoas testemunharam o milagre. "A mulher que falava no celular caiu e torceu o tornozelo", disse um. Ao que o outro completou, "e os pivetes sumiram no meio da multidão levando a bolsa dela".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113458236450064819?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113458236450064819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113458236450064819&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113458236450064819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113458236450064819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/um-pretinho-no-meio-fio.html' title='um pretinho no meio fio'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113450470711931302</id><published>2005-12-13T17:13:00.000-02:00</published><updated>2005-12-14T01:56:13.986-02:00</updated><title type='text'>trilogia suja das BR´s - episódio 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/foamy_vomit.gif"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/foamy_vomit.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Houve uma época em que viajar de ônibus era praticamente um hábito. Uma época remota e bela em que o Bunda e sua turma (sim, ele tem amigos) tiravam férias intermináveis da faculdade e partiam para as plagas ensolaradas da Bahia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A vida no verão se limitava a arrastar o pé até as oito da manhã, acordar, fumar uma viga, pegar o sol saudável das quatro da tarde, fumar outra viga, bater um gigante PF de moqueca de arraia no restaurante do Badaró, fumar ainda outra viga, tirar um bode e, novamente, cair na dança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Papai ainda não afogara em dívidas e nenhuma outra responsabilidade que não encoxar o máximo de hipongas Zona Oeste no forró atormentava nossas inconseqüentes e acomodadas cabecinhas ocas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Sim, o sul da Bahia era mesmo o paraíso terrestre, o país de Cocanha. Mas dura era a viagem até lá...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;EPISÓDIO 1 - o nauseabundo fedelho viciado em "iogute"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ao todo, eram 7 passagens. Sorteamos os lugares. Ninguém queria sentar ao lado do banheiro, na única poltrona isolada das demais. O motivo: as janelas dos ônibus executivos (naquele tempo ainda não tínhamos "a manha" do convencional) são parafusadas por causa do ar condicionado. É alguém entrar ali, sentar lenha e as férias acabam mais cedo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Adivinhem pra quem sobrou a ingrata incumbência de encarar 26 horas de busão, na linha de fogo e ao lado de um estranho. Sim, evidentemente, sobrou pra este Bunda aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A princípio, achei que tinha tirado a sorte grande. O passageiro da poltrona ao meu lado não aparecia. Contei vantagem pra toda turma: seria o único a dormir direito, esparramado em dois assentos. O motorista deu a partida. Ria à toa dos reviravoltas do acaso. Resolvi que nem Dramim seria necessário para apagar. Até que chegou a minha vizinha de viagem carregando seu lindo filhinho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Não tivesse a criança de colo 106 meses de idade, isto é, oito anos e meio, a viagem até que teria tido melhores chances de se provar tranqüila. Mas, não. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A turma do Bunda havia virado o jogo. Agora, eu era o alvo do escárnio, prestes a passar um dia inteiro respirando vapor de cocô, confinado numa área de 40 cm quadrados, o equivalente a meia poltrona. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Oito horas de estrada e tudo corria razoavelmente bem. A Fátima era simpática e o Vitão até que falava pouco. A única coisa que me intrigava era o seu devastador apetite, muito afeito a um líquido rosa e viscoso que chamava carinhosamente de "iogute". A cada parada, ingeria meio litro daquilo, mais um saco de biscoito ou salgadinho - daqueles petiscos populares, que têm sabor de camarão e vêm em sacos gigantes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;De resto, o moleque estava de parabéns. Muito educado, sempre oferecia um pedaço das suas guloseimas ou um gole do estranho elixir. A mãe achava o máximo. E lá íamos nós...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Pensando bem, o Vitão tinha outro hábito que também me preocupava um pouco. Gostava de viajar brincando de franco atirador. Sniper profissional com sanha de sangue. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Os passageiros já haviam todos morrido pelo menos quatro vezes. Entre um projétil e outro, o Vitão se abaixava de repente para recarregar o seu rifle imaginário e decidir qual seria a sua próxima vítima. A graça do passatempo não acabava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Lá pela décima quarta hora, ficou patente que a matança havia irremediavelmente fermentado o "iogute". Não só o Vitão havia parado quieto como também mudara de cor. Estava branco, tendendo pro verde. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;De repente, tonto de tanta náusea, chamou a mãe. Sequer conseguiu acabar a frase, "num to me sentindo muito..." plaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. O gorfo jorrou de dentro da sua pequena boca sem fundo como água de uma mangueira de bombeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Atento ao desastre iminente, já havia me posicionado longe do alcance do jato que inundou minha poltrona. Meu livro novo do portuga Miguel Esteves Cardoso, &lt;em&gt;O Amor é Fodido&lt;/em&gt;, infelizmente não escapou da sopa primordial. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Curioso que a Fátima pediu desculpas e tentou remediar a situação secando o vômito com toalhas de papel e cobrindo a poltrona úmida com uma canga. Ri da cara dela. E passei as restantes dez horas de viagem com a bunda cravada no assento de braço de um das poltronas do corredor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113450470711931302?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113450470711931302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113450470711931302&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113450470711931302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113450470711931302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/trilogia-suja-das-brs-episdio-1.html' title='trilogia suja das BR´s - episódio 1'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113443559761574917</id><published>2005-12-12T22:20:00.000-02:00</published><updated>2005-12-12T22:59:57.626-02:00</updated><title type='text'>cyber lixo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/lixo%202.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/lixo%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Bunda comprou um computador novo semana passada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O equipamento chegou quarta-feira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lindão: muito MHZ, muito MB e muito Giga. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ontem, pifou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Hoje, o Bunda lhes escreve do cyber café da esquina, sem inspiração e sem tempo pra se dedicar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A contra gosto, deixo uma piada...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Lembra daquele quadro do Sílvio Santos em que os casais tinham que adivinhar o que o marido ou a esposa responderia à determinada pergunta? Pois bem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Silvião&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(ao marido)&lt;/em&gt; - A-ai, e onde foi que vocês fizeram amor na noite de ontem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Marido&lt;/strong&gt; - No chão da cozinha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Silvião&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;(para a esposa, que não ouvia a conversa com o marido)&lt;/em&gt; - Perguntei ao vosso esposo onde foi que vocês fizeram amor na noite de ontem. Vamos ver se a resposta confere...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Esposa&lt;/strong&gt; - Ai, Sílvio, que vergonha. Tenho mesmo que responder?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Silvião&lt;/strong&gt; - Claro que sim!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Esposa&lt;/strong&gt; - Ah, tá bom, vai. Ai, que vergonha... Foi no cu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113443559761574917?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113443559761574917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113443559761574917&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113443559761574917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113443559761574917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/cyber-lixo.html' title='cyber lixo'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113436691802581777</id><published>2005-12-12T03:36:00.000-02:00</published><updated>2005-12-12T04:01:08.293-02:00</updated><title type='text'>peniscopia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/endoscopio.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/endoscopio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Laboratório de análise clínica – todo mundo conhece... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembre daquela manhã de terça-feira ensolarada, termômetros na rua batendo 32 graus, o suor escorrendo do sovaco que nem vinagre, ardendo em filetes. Lembre daquela noite de insônia recortada por sitcoms da Sony, Sexy Time e um filme de aventura estrelando Charles Bronson; e agora recorde essa madrugada no dia seguinte, pesando nas pálpebras e entorpecendo a cabeça agoniada com o chefe voltando de viagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, lembre da fila de espera do laboratório: um milhão e meio de pessoas aglomeradas, mais a rã loira estilo Louis Vuitton ao seu lado coaxando no celular enquanto o vapor grosso do CK One reage com o oxigênio seco e frio do ar condicionado, transformando-se em gás mostarda. Lembre do primogênito do batráquio, uma criança estridente de cinco anos no colo da babá à sua frente, uma autêntica mãe preta como aquelas descritas em &lt;em&gt;Casa Grande &amp;amp; Senzala&lt;/em&gt;, fazendo malcriação enquanto se lambuza com um pirulito fosforescente. Lembre do doce caindo no chão rente à sua mochila e um pedido de desculpa que é um meio termo entre silêncio e o descaso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, por último, lembre da cara da recepcionista enterrada em pancake, o cabelo embrulhado em laquê, quando enfim o painel eletrônico anuncia o número da sua ficha, 482, e a obviedade delicada da pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia, senhor, em que posso ajudar?&lt;br /&gt;Cabeça gorda, você entrega a receita médica. Ela lê e começa a digitar. Dispara as perguntas: nome, idade, identidade, endereço, se já fez algum exame, se tem seguro, etc, e segue digitando como uma epilepsia. A destreza de taquígrafa da mulher chega a intrigar. Então, quando menos espera, você é arrebatado pelo pior, pelo muito pior que uma picada de agulha...&lt;br /&gt;- Peniscopia, confere?&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Peniscopia. O seu médico pediu uma peniscopia.&lt;br /&gt;- Como assim? Não, acho que ele falou outra coisa, era outro exame...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, aqui ó, ela aponta um garrancho com displicência, ele escreveu peniscopia.&lt;br /&gt;- Ahn... e como é que...&lt;br /&gt;- Primeira porta à direita depois do corredor. Ali é a sala de espera número 6. Quando chegar, favor aguardar ser chamado pelo enfermeiro. Obrigada, e estendendo a patinha de unhas violetas, a sua ficha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você levanta, desaloja os colhões aparvalhados da calça jeans e parte rumo à tal sala, uma segunda ficha em mãos. Só consegue pensar na expressão simpática do urologista, o Dr. Gustavo, recomendado pelo tio Sérgio, o amigo piadista do seu pai. O camarada Dr. Gustavo Ramos, que não falou nada de peniscopia na consulta de quinta, quando apareceu no consultório dele com uma história mal contada sobre uma suspeita de HPV.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mal se senta, um enfermeiro franzino te cumprimenta, sorrindo meio irônico, meio com pena, e te guia até a sala de exames.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Peniscopia – alguém faz idéia?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagine uma sala branca e, no centro, uma maca hospitalar cercada por instrumentos que mais parecem a maquinaria de uma masmorra medieval. Imagine o enfermeiro, com um sorriso sádico nos lábios, pedindo pra você ficar só de camiseta, se deitar na maca e relaxar com as mãos atrás da cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagine um médico de 98,4 quilos abrindo a porta de repente e caminhando na sua direção enquanto lhe deseja um bom dia. Imagine os dedos roliços do homem e a coordenação de mamute enquanto começa a manipular o seu pintinho apreensivo. Imagine uma vagina radioativa e a graxa ácida que ela libera sendo esfregada na sua glande e dependências enquanto escuta o Maguila discorrer sobre o campeonato brasileiro e empastelar seu membro de gaze. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, visualize um canudo de metal fino de aproximadamente dez centímetros com uma micro-câmera na ponta e imagine que esse brinquedinho, depois de lubrificado, vai ser introduzido na sua uretra com a finalidade de explorar as suas entranhas até mais ou menos a altura do saco, tudo isso ao vivo, na íntegra e em cores no monitor ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imaginou? Não? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então deixe-me descrever a sensação: pasta de dente, Gelol, desodorante com álcool, taturana, estilete, Pinho Sol, Tabasco, farpa, mostarda escura, gasolina, Halls preto, gengibre, acetona, corte de papel, brasa de cigarro, limão caipira, craca, navalha, amônia, areia quente, nitrogênio líquido, bisturi, água viva, espinho, ouriço, lixa, merthiolate, carne esfolada, óleo fervente, o pior, o muito pior que uma picada de agulha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(A moral da história: a traição dói como uma peniscopia)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113436691802581777?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113436691802581777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113436691802581777&amp;isPopup=true' title='52 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113436691802581777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113436691802581777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/peniscopia.html' title='peniscopia'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113415198872439205</id><published>2005-12-09T15:01:00.000-02:00</published><updated>2005-12-09T16:24:18.913-02:00</updated><title type='text'>faixa 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/acougue.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/acougue.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Faixa 1 da rodovia Ayrton Senna, km 67, próximo de Guarulhos, 10 de setembro de 2001, 22:42 hs...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Todo mundo já deve ter visto um animal atropelado. Na Raposo Tavares tem direto. Quem mora na Granja sabe. A carcaça fica dias e dias ao relento. Vai inchando aos poucos. Na segunda semana depois do óbito, tem-se a impressão de que não é mais um cachorro que foi atropelado, mas uma capivara. A carne muda de cor. Do vermelho, passa pro roxo, depois pro negro. A morte é contagiante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Então, quando você já se acostumou a contemplar a mesma velha carcaça podre a caminho de casa, ela de repente desaparece. Arrastada pela chuva, recolhida pelos lixeiros ou desfeita pela decomposição, não sei. O fato é que simplesmente some como se nunca tivesse existido. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Voltando de um feriado em Ubatuba há algum tempo, tive o infortúnio de atropelar um bicho na estrada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Na verdade, o que aconteceu foi o seguinte: uma outra pessoa havia acertado o animal. O corpo jazia estraçalhado na faixa 1 da Ayrton Senna numa noite de tráfego intenso. Devido à curta distância entre os carros, ninguém conseguia avistá-lo a tempo de desviar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Cada um que passava contribuía um pouco para rolo-comprimir a carniça. Devo ter sido o décimo quinto automóvel a fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O acidente foi grave. O cara que atropelou o bicho primeiro rachou ele no meio que nem ovo. Vísceras espalhadas num raio de 15 metros pelo menos. Lembro que o pneu reproduziu um fino ruído de atrito ao ingressar nessa área, úmida de sangue fresco. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Conforme avançava, as peças de carne iam aumentando de tamanho e aos poucos revelando a verdadeira identidade daquela carcaça. Linguiça, costelinha, picanha, fraldinha e, então, pasmem: um tórax humano decapitado. E mais a diante, um par de pernas esmigalhadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Meus caros, o vômito imediatamente inundou minha goela. Encostei no acostamento pra respirar e desembrulhar o estômago. A no. 1 estva comigo. Ofereceu-se para dirigir. Eu mal conseguia falar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;No dia seguinte, conferi o jornal para saber&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; detlahes do acidente. Nada. Aquela morte passou em branco. Assim como os cachorros da Raposo, que desaparecem sem deixar vestígio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113415198872439205?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113415198872439205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113415198872439205&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113415198872439205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113415198872439205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/faixa-1.html' title='faixa 1'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113406736902484198</id><published>2005-12-08T16:32:00.000-02:00</published><updated>2005-12-08T17:07:20.823-02:00</updated><title type='text'>hpv - human papiloma virus</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/hpv.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 227px" height="218" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/hpv.jpg" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ao todo, foram três namoradas na presente encarnação. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Amei-as intensamente, apesar das muitas (e arrebatadoras) surpresas que me proporcionaram ao longo dos respectivos relacionamentos. Tenho um coração mole, mole, mole...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Uma dessas surpresas foi o &lt;em&gt;Human Papiloma Virus&lt;/em&gt;, o famigerado&lt;em&gt; HPV&lt;/em&gt;, também conhecido na roça como &lt;em&gt;crista de galo&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;verruga de xota&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A namorada mais recente, a de número 3, foi um caso seríssimo na minha vida. Pensei até que fôssemos casar um dia, pra valer: morar numa casinha de vila, comprar um labrador marrom, visitar a família dela em Botucatu nos feriados e envelhecer felizes para sempre. A ela, fui fiel como um cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia, a no. 3 visitou o ginecologista. Voltou do consultório toda arrebentada porque a médica havia cauterizado três pequenas bolinhas na sua vagina. O material recolhido foi mandado para a biópsia, mas a doutora estava quase certa de que se tratava de HPV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HPV, minha gente, é uma porcaria mais fácil de contrair que resfriado em tempo de inversão térmica. É um vírus que vive na pele e nas mucosas genitais tais como a vulva, a vagina, o colo de útero, o pênis e, inclusive, o cu, e, em alguns casos, pode causar câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será difícil imaginar minha cara de bunda ao receber a notícia de que havia infectado a pessoa que mais amava no mundo com um vírus letal e sexualmente transmissível. Não existe perdão para crime tão hediondo. Só a pena de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A no. 3 quis encerrar nosso romance no ato, tão grande era a sua decepção. Além de tê-la submetido a mais intensa dor física que jamais havia sentido, também partira o seu devoto coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi, implorei, chorei, me arrastei e, por fim, consegui uma pena razoavelmente branda. Fui condenado a um mês de ostracismo sexual e obrigado a submeter meu pirulito a uma PENISCOPIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a questão é a seguinte: como podia ser eu o culpado pelo HPV se até então fora fiel como um cão à no. 3?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história permanece obscura. A única certeza que tenho é que era tão bundão naquela época que sequer contestei minha culpa no cartório. Enfiei o rabo entre as pernas e segui piano até o Fleury, onde um enfermeiro bruto me enfiou uma sonda na uretra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi a primeira vez que tomei no olho do pau. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113406736902484198?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113406736902484198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113406736902484198&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113406736902484198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113406736902484198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/hpv-human-papiloma-virus.html' title='hpv - human papiloma virus'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113399572866538466</id><published>2005-12-07T17:50:00.000-02:00</published><updated>2005-12-08T13:33:23.886-02:00</updated><title type='text'>lesma com rúcula</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/slug.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/slug.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Certa tarde de domingo, no famoso restaurante do Itaim, servi uma salada de folhas sortidas para uma jovem senhorita de cabelos dourados. Depois de me alugar por quase 15 minutos com perguntas cretinas a respeito dos molhos das massas e gradações dos pontos da carne, acabou optando por uma "fresh salad, assim, super básica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soltou a frase com um imenso sorriso estampado na cara cor de cenoura e se desculpou pela demora. Mas nem mesmo a sua simpatia, contagiante especialmente na altura dos seios rijos como acrílico, foi capaz de refrear a minha cara de bunda. Abandonei a mesa dela ligeiro, de um jeito displicente que considerou "ultra grosseiro". Sem querer, tinha me arrumado mais um desafeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os finais de semana num restaurante como esse em que trabalhei não são brincadeira. A classe média tem mania de impaciência. Porque estão pagando, acham que o mundo tem que funcionar do jeito deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples assim: os subalternos que se fodam pra resolver viadagens minuciosas como suco de melancia com limão, sem gelo e batido com adoçante em gotas, conter a criançada estragada - verdadeiros terroristas da Al Qaeda - driblando pratos e copos a mil por hora e atender às exigências da vovó Guiomar, alérgica a aspargos frescos e creme de leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se fodam todos porque o cliente tem sempre razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, a salada da loira de tetas incríveis levou quase 20 minutos para ficar pronta. Já reclamara três vezes e não parava de me olhar feio toda que vez que passava rente. Quando finalmente chegou o prato, deixei-o na frente dela junto com uma porção de queijo de cabra e outra de pãezinhos frescos. “É por conta da casa e desculpa de novo pela demora”, disse e respirei aliviado. Ela sorriu. Achei sinceramente que meu gesto de bondade havia me redimido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fosse um incidente inesquecível, teria razão. Um grito estridente de repente varou o salão. A loira estava fora de controle. Agitava os braços no ar, vermelha que nem tomate. Exigiu que eu fosse ter com ela imediatamente e me presenteou com o maior espinafre da minha vida. Um espetáculo público dedicado a todos os outros clientes presentes, para que soubessem quem era o filha-da-puta responsável pelo desconcerto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo: uma lesma. Sim, havia uma lesma na rúcula da loira. E o culpado era eu. Na cabeça dela, eu tinha colocado o bicho ali de propósito. O gerente foi intimado em seguida. Desculpou-se redobrado e ofereceu-lhe outro prato como cortesia. Mas o barato ali não era o almoço em si, mas a maneira mais escrota de me humilhar. Ouvi quase todos os xingamentos listados no Aurélio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, não levei o desaforo pra casa. A vaca provavelmente nunca tinha visto um escargot na vida, mas devia achar a iguaria deliciosa. Por que? Simplesmente porque se trata de uma lesma francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, a condição asquerosa da lesma, assim como de qualquer outra coisa, desaparece em função da sua origem. A classe média tem dessas: leva ferro desde que seja ferro importado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Doce vingança do acaso: a tetuda engasgou num pedaço de lesma e eu fui dispensado mais cedo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113399572866538466?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113399572866538466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113399572866538466&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113399572866538466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113399572866538466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/lesma-com-rcula.html' title='lesma com rúcula'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113392696683992081</id><published>2005-12-07T01:20:00.000-02:00</published><updated>2005-12-07T01:47:22.796-02:00</updated><title type='text'>oxiúros</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/oxiuros.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/oxiuros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Aprendi sobre eles no cursinho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Os oxiúros amadurecem no intestino grosso em 2 a 6 semanas. A fêmea movimenta-se até a área perianal, geralmente à noite, para depositar seus ovos no interior das pregas anais do paciente. É o parasita mais comum entre as crianças que vivem em climas temperados. Pelo menos 20% delas o apresentam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Aprendi sobre eles na vida...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Trabalhei num restaurante muito famoso no Itaim na mesma época em que padecia de um intermitente prurido no esfíncter anal. Um dia, a Bibi, uma garçonete no mínimo desbocada, me flagrou coçando o olho. Apelidou-me de Oxiúro na hora e não hesitou em espalhar a notícia pra todos os companheiros de batente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O gerente me chamou de lado e pediu encarecidamente que eu não coçasse o cu no salão. Contudo, atender à sua solicitação era inviável. Por dois motivos: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;a) eu estava de fato infectado pelo bicho, que é pior que pulga, e&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;b) o prazer de imaginar a classe média levando à boca um gostinho daquele obscuro orifício que considera tão repugnante era impagável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Ave, Oxiúros!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113392696683992081?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113392696683992081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113392696683992081&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113392696683992081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113392696683992081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/oxiros.html' title='oxiúros'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113384758902263557</id><published>2005-12-06T03:11:00.000-02:00</published><updated>2005-12-06T12:42:59.350-02:00</updated><title type='text'>água fria na bunda</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/bide.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/bide.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O rolo de papel higiênico habita o meu quarto, não o banheiro. Ao contrário da classe média, tenho o costume de limpar o loló utilizando o bidê. Aqui em casa, contudo, tenho de me contentar com o chuveirinho. Não cabe um bidê no banheiro, infelizmente. O apartamento é pequeno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A classe média tem hábitos podres. Doenças venéreas da alma. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Buzinam pra lixeiro e arremessam garrafa na cabeça de travesti sábado à noite. Além disso, gostam de se enganar. Mas o figurino e a pompa não redimem um rabo melado e fumegante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A verdade é esta: a classe média é afeita ao papel higiênico porque tem nojo do próprio cu. Meter a mão na massa está muito além daquilo que consideram razoável. Sem contar o pudor em relação ao corpo. Seguem achando que cu tem acento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Quanto ao papel higiênico, é bom que fique no meu quarto. Me resfrio com certa freqüência e costumo socar uma antes de dormir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A classe média considera a verdade e as necessidades fisiológicas do corpo humano acintes. Merda na cabeça deles e água fria na minha bunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113384758902263557?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113384758902263557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113384758902263557&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113384758902263557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113384758902263557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/gua-fria-na-bunda.html' title='água fria na bunda'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19595397.post-113379550122645214</id><published>2005-12-05T13:02:00.000-02:00</published><updated>2005-12-06T03:49:21.266-02:00</updated><title type='text'>a primeira entrada a gente nunca esquece</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/1600/rectum.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4080/1942/320/rectum.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma época, morei na Rua Antônio Carlos, uma travessa da Augusta, ali perto dos cinemas do Unibanco. Um prédio simpático, apartamentos com varanda, que foi projetado nos idos dos anos 50 para atender a fins escusos. São sete andares do que hoje conhecemos pelo nome de &lt;em&gt;kitchenettes&lt;/em&gt;. Naquela época, entretanto, quando o francês ainda ganhava do inglês no quesito "estrangeirismos pedantes que caem bem na boca dos babacas e dos publicitários", continha 14 &lt;em&gt;garçonnières&lt;/em&gt;. Em suma, sempre foi o que em bom português se chama um pardieiro de putas e estudantes. Ou seja, um &lt;em&gt;&lt;strong&gt;treme-treme&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um gorducho que morava no segundo andar. Costumava cruzar com ele no Pão de Açúcar da Consolação. Era viciado em refrigerante. Pelo menos três garrafas de Coca-Cola no carrinho, daquelas PET 2,5 L. Máquina de processar glicose. Apelidei-o de Quindim num dia de inspiração poética. Mas nunca cheguei a estabelecer contato direto com ele. Nem bom dia nem boa noite. Nada. Não sei bem porque... Quer dizer, sei sim... Deixo de lado a hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que sentia pena do Quindim. Primeiro porque ele era gigante, lento e desajeitado como uma carreta e, segundo, porque tinha cara de bunda. Impossível não se compadecer com a sua expressão lânguida, tão característica de gente obesa, de sofrimento agudo em dia de sol. Os olhos esbugalhados lhe davam o ar frágil dos meninos que apanham na escola. O próprio Bozo do &lt;em&gt;Nascido pra Matar&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Full Metal Jacket,&lt;/em&gt; em inglês – aliás, que tradução de merda é essa?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, contudo, me identificava com ele. Como se o Quindim fosse a versão esculhambada de mim. Como eu, morava sozinho na artéria da cidade e sofria com isso. A solidão às vezes pega pra capar. Mas, ao contrário de mim, não conseguia boceta. Nenhuma. Nunca. Varava as noites esfolando o papagaio na internet, depressivo e alcoólatra de refri. Ao passo que eu estava num regime de sexo pelo menos três vezes por semana. Com garotas diferentes. Calhorda em grande estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que descobri que o Quindim não só era bicha como masoquista. Queria morrer de pena. Imaginar aquele gorducho com cara de pétala sendo currado por trás e tomando palmada nas ancas me consumia de tristeza. Quem me disse foi o zelador do prédio. “Não agüento mais esse viado gemendo no meio da noite que nem boi no cio. Você precisa ver as coisas que ele fala pros nego dele. Um dia ainda subo lá e encho de porrada”. Devia mesmo ser o inferno morar debaixo de uma bicha masoquista de 120 quilos. Em especial, porque não tinha como reclamar. Se um dia ele cumprisse a promessa de fato e batesse na porta do Quindim com a intenção de arrebenta-lo, provavelmente seria convidado a passar o resto da semana na função de troglodita. O pesadelo em dobro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, me enfiei num cine 24 horas da rua Vitória. Estava realizando uma pesquisa pra uma oficina teatral com o pessoal do Vertigem. O tema era perversão sexual. Fomos eu, o Valdir Grillo e uma outra atriz cujo nome não lembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando pelas tétricas salas do cinema – tratava-se de um complexo de quatro andares escuros e escorregadios, dos quais o terceiro era a sala de projeção –, me deparo com uma imensa massa amorfa chacoalhando num canto. O lugar é bizarro e oleoso; lembra o Rectum do &lt;em&gt;Irreversível&lt;/em&gt; – gente trepando pra todo lado, pica a dar com pau. O terremoto humano, ia dizendo, me chamou a atenção como um deja vu. Observei com mais cuidado. Pasmei. Não deu outra: era o Quindim. De quatro, tomando palmada nas ancas e gemendo que nem boi no cio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha visto dois caras trepando ao vivo nem nunca tinha visto ninguém trepando naquela intensidade furiosa. Os tapas reverberavam no ar como estalos de chicote. Curioso que não senti pena do Quindim. Ele tirava um prazer sincero daquela surra. Gemia era de júbilo e tesão, não de dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, foi dessa situação grotesca, mas ao mesmo tempo sublime, que tirei a inspiração para elaborar minha cena pra oficina e agora pra inaugurar essa página dedicada ao grotesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira entrada a gente nunca esquece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19595397-113379550122645214?l=buracodobunda.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://buracodobunda.blogspot.com/feeds/113379550122645214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19595397&amp;postID=113379550122645214&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113379550122645214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19595397/posts/default/113379550122645214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://buracodobunda.blogspot.com/2005/12/primeira-entrada-gente-nunca-esquece.html' title='a primeira entrada a gente nunca esquece'/><author><name>José Ninguém</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12675676893840049039</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_wMgCLL9_ZDw/SdwXKgNsLvI/AAAAAAAAABo/kpYh6dIEJH8/S220/DSCF0608.JPG'/></author><thr:total>26</thr:total></entry></feed>
